Saúde da mama
BI-RADS: o que significa a classificação do seu laudo
BI-RADS é o sistema que padroniza o laudo dos exames de mama. Vai de 0 a 6, e cada número não é um diagnóstico: é uma conduta. Ele existe para que o mesmo achado receba a mesma orientação, independentemente de quem escreveu o laudo.
Por que essa sigla existe
Antes do BI-RADS, cada radiologista descrevia um achado do seu jeito. Um escrevia "nódulo de aspecto benigno", outro "imagem nodular sem sinais suspeitos", um terceiro "formação sólida circunscrita". A médica que recebia o laudo precisava adivinhar o grau de preocupação a partir da escolha de palavras de alguém que ela talvez nem conhecesse.
O sistema foi criado pelo Colégio Americano de Radiologia e adotado no Brasil com adaptação do Colégio Brasileiro de Radiologia. Ele fecha o laudo com um número, e cada número corresponde a uma faixa de probabilidade de malignidade e a uma conduta recomendada. Isso transformou o laudo de mama de texto interpretável em informação comparável.
A escala inteira, número por número
Repare que 1 e 2 levam à mesma conduta, e a diferença entre eles é apenas se havia algo para nomear. Repare também que 0 não é um degrau de gravidade: é uma pausa, o exame pedindo mais informação antes de se classificar.
- BI-RADS 0: inconclusivo. O exame não deu para concluir e precisa de complementação, quase sempre ultrassonografia ou incidências adicionais da mamografia.
- BI-RADS 1: normal. Nada a relatar. Volta ao rastreamento de rotina.
- BI-RADS 2: achado benigno identificado e nomeado, como um cisto simples ou uma calcificação típica. Também volta à rotina.
- BI-RADS 3: provavelmente benigno. Menos de 2% de chance de malignidade. Controle em 6 meses.
- BI-RADS 4: suspeito. A chance varia de pouco mais de 2% a 95%, e é por isso que a categoria se subdivide em 4A, 4B e 4C. Indica biópsia.
- BI-RADS 5: altamente sugestivo de malignidade, acima de 95%. Biópsia, e o planejamento do tratamento já começa em paralelo.
- BI-RADS 6: malignidade já comprovada por biópsia anterior. O exame está acompanhando um caso já diagnosticado.
O número vale para o conjunto, não para cada exame
Quando você faz mamografia e ultrassonografia, cada exame pode receber uma categoria. O que orienta a conduta é a categoria mais alta entre elas. Um BI-RADS 2 na mamografia não anula um BI-RADS 4 no ultrassom.
É também por isso que a comparação com exames anteriores muda tanto o resultado. Um nódulo idêntico pode ser BI-RADS 3 quando aparece pela primeira vez e BI-RADS 2 quando está documentadamente igual há três anos. O mesmo achado, categoria diferente, porque o tempo é informação.
O que o BI-RADS não diz
Ele não diz o que você tem. Um BI-RADS 4 não significa câncer, significa que a imagem tem características que só a análise do tecido consegue esclarecer. A maioria dos BI-RADS 4A, a subcategoria mais branda, resulta em biópsia benigna.
Ele também não leva em conta a sua história. O número vem da imagem. Sua idade, seu histórico de família, o que você sentiu no exame físico e o que os seus exames anteriores mostraram entram na conta depois, na consulta, e podem mudar a conduta em qualquer direção. É por isso que laudo se leva à mastologista, não se resolve no buscador.
O que a categoria não substitui
Uma dúvida frequente é se dá para pular a consulta quando a categoria já traz a conduta escrita no laudo. A resposta é não, e o motivo é prático. A categoria orienta o que fazer com aquele achado, mas quem decide o que fazer com você é a médica que conhece a sua história. Duas mulheres com BI-RADS 3 idêntico podem sair da consulta com condutas diferentes: uma segue para o controle de 6 meses, outra vai biopsiar agora porque tem mutação BRCA conhecida na família.
Vale também desconfiar da comparação com conhecidas. Categoria igual não significa situação igual, e o comentário bem-intencionado de alguém que passou por um BI-RADS 4 e teve resultado benigno diz muito pouco sobre o seu caso. O laudo é seu, a história é sua, e é a soma dos dois que define a conduta.
O que fazer com o seu laudo
- Localize a linha da conclusão. A categoria costuma estar no fim, escrita como "Categoria 3" ou "BI-RADS 3".
- Guarde o laudo e as imagens. Eles são a base de comparação dos próximos anos.
- Marque consulta com mastologista para interpretar o achado dentro do seu caso.
- Não compare o seu laudo com o de outra pessoa: a mesma categoria pede condutas diferentes em histórias diferentes.
Perguntas frequentes
BI-RADS 4 significa que eu tenho câncer?
Não. Significa achado suspeito o bastante para justificar biópsia. A faixa da categoria 4 é ampla, de pouco mais de 2% a 95%, e na subcategoria 4A a maioria das biópsias resulta benigna. A biópsia existe justamente para responder o que a imagem não responde.
Qual categoria é a pior?
A 6, mas ela é diferente das outras: não indica suspeita, indica que já existe diagnóstico confirmado por biópsia e o exame está acompanhando o caso. Entre as categorias de suspeita, a 5 é a de maior probabilidade.
Recebi BI-RADS 0. É ruim?
Não é um grau de gravidade. É o exame dizendo que não deu para concluir com o que foi feito, e que falta complementação, geralmente ultrassonografia ou incidências adicionais. Depois do complemento, sai uma categoria definitiva.
Minha mamografia deu 2 e o ultrassom deu 4. Qual vale?
Vale a mais alta, no caso a 4, e é ela que orienta a conduta. Os exames enxergam coisas diferentes, e um achado visível só no ultrassom não deixa de existir por não aparecer na mamografia.
Fontes
- Colégio Brasileiro de Radiologia. Mantém no Brasil a adaptação do sistema BI-RADS, que padroniza descrição e conduta nos laudos de mama.
- Sociedade Brasileira de Mastologia. Publica as recomendações de conduta associadas a cada categoria BI-RADS no país.
