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Cirurgia oncoplástica da mama: tirar o tumor e remodelar no mesmo ato

Entenda o que é a cirurgia oncoplástica, os dois níveis, o deslocamento de tecido, quando costuma ser considerada, quais são os limites da evidência e quem decide a conduta.

Marcio Moreira, Estrategista de conteúdo e SEO do blog da Clínica PrecioreMarcio MoreiraEstrategista de conteúdo e SEOPublicado em 26 de outubro de 2026
Mãos de uma médica de jaleco segurando uma caneta sobre uma folha em branco, ao lado de uma pasta de exames, em uma mesa de consultório

Cirurgia oncoplástica da mama: tirar o tumor e remodelar no mesmo ato

Neste artigo você vai descobrir:

  • O que é a cirurgia oncoplástica e por que ela retira o tumor e remodela a mama no mesmo ato
  • Como funcionam os dois níveis, o deslocamento de tecido, a reposição de volume e a simetrização
  • Em que situações costuma ser considerada e o que a evidência ainda não permite afirmar
  • Quem decide a conduta e o que levar à consulta com a mastologista

O que é cirurgia oncoplástica da mama

Cirurgia oncoplástica da mama é a operação que retira o tumor e, no mesmo ato, usa técnicas de cirurgia plástica para remodelar o que fica da mama (Nanda e colaboradores, Cochrane, 2021). O tratamento do câncer e a forma da mama deixam de ser pensados em etapas separadas e passam a entrar no mesmo plano cirúrgico. Um artigo de classificação muito citado descreve a técnica como uma "terceira via" entre a cirurgia conservadora padrão e a mastectomia (Clough e colaboradores, 2010).

O Consenso da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) define o conjunto de técnicas como cirurgia oncoplástica e reconstrutiva da mama, com a finalidade específica de melhorar os resultados oncológicos e estéticos no tratamento do câncer de mama (Urban e colaboradores, SBM, 2015).

O objetivo é duplo: segurança no tratamento do câncer e preservação da forma da mama. O resultado estético varia de mulher para mulher e não pode ser prometido. Este texto é educativo, e cada caso exige avaliação médica.

Os dois níveis da cirurgia oncoplástica

A classificação de Clough e colaboradores divide a cirurgia oncoplástica em dois níveis, de acordo com o volume retirado e a complexidade da remodelagem (Clough e colaboradores, 2010):

Nível I Nível II
Volume retirado Menos de 20% do volume da mama Ressecções maiores
Como a mama é remodelada Passo a passo, de forma mais simples É preciso uma técnica de mamoplastia

Mamoplastia é o nome da cirurgia plástica que remodela a mama. No nível II, a técnica escolhida varia conforme a região da mama de onde o tumor foi retirado, e os autores propõem um atlas com uma solução para cada quadrante (Clough e colaboradores, 2010). Para entender como o laudo localiza o nódulo, veja quadrantes da mama: como o laudo indica onde está o nódulo.

Deslocar tecido, repor volume e cuidar da simetria

Na literatura, as técnicas aparecem em dois grupos. As de deslocamento de volume reorganizam o tecido da própria mama depois da retirada do tumor. As de reposição de volume trazem tecido de outra região, como o músculo grande dorsal ou retalhos da parede do tórax, que são os mais usados nas séries revisadas (Rutherford e colaboradores, 2022; Cavalcante e colaboradores, 2025).

Quando a retirada deixa as duas mamas diferentes, o plano pode considerar também a simetria entre elas. O consenso da SBM aponta que mulheres com assimetria importante entre as mamas se beneficiam das técnicas oncoplásticas (Urban e colaboradores, SBM, 2015). Se a técnica vai ou não incluir esse ajuste é uma decisão individual.

Quando a cirurgia oncoplástica costuma ser considerada

Clough e colaboradores identificaram três elementos para escolher a técnica: o volume a ser retirado, o local do tumor na mama e a densidade da glândula (Clough e colaboradores, 2010). O consenso de 13 especialistas da SBM acrescenta situações em que há benefício (Urban e colaboradores, SBM, 2015):

  • tumores em quadrantes com risco de mau resultado estético, como o central, o inferior e o medial;
  • mamas muito grandes (gigantomastia);
  • assimetria importante entre as mamas.

O mesmo consenso diz que tumores multifocais não são contraindicação para a cirurgia oncoplástica e que a idade acima de 70 anos, isoladamente, também não é. Para mulheres que precisam de mastectomia, a reconstrução imediata pode ser indicada com segurança para a maioria (Urban e colaboradores, SBM, 2015).

Limites: o que a evidência ainda não responde

A melhor síntese disponível é uma revisão Cochrane, com 78 estudos de coorte não randomizados e 178.813 mulheres. Seus autores consideram a evidência muito incerta, em boa parte porque os estudos não controlaram bem os fatores que diferem entre as pacientes (Nanda e colaboradores, Cochrane, 2021). O que ela encontrou:

  • Em relação à cirurgia conservadora padrão, a oncoplástica pode fazer pouca ou nenhuma diferença na recorrência local e na sobrevida livre de doença, e não foi demonstrada inferioridade.
  • Ela pode reduzir a necessidade de uma nova cirurgia para completar a retirada do tumor (risco relativo de 0,76).
  • Ela pode aumentar o número de mulheres com pelo menos uma complicação em comparação com a cirurgia conservadora padrão (risco relativo de 1,19).
  • A satisfação das pacientes e a avaliação do cirurgião sobre o aspecto da mama parecem melhores, mas a qualidade dessa evidência é baixa.

Uma revisão de 55 estudos, com 6.011 mulheres com tumores iniciais (T1 e T2), encontrou taxas baixas de recorrência local e concluiu pela segurança oncológica da técnica nesse grupo (De La Cruz e colaboradores, 2016).

O consenso da SBM também registra limites (Urban e colaboradores, SBM, 2015):

  • se a margem continuar comprometida na análise definitiva do tumor, pode ser indicada nova ampliação ou mastectomia, conforme o caso;
  • mulheres que precisarão de radioterapia depois da mastectomia podem ter reconstrução imediata, mas devem saber que o risco de mau resultado estético é maior;
  • o uso de implantes para corrigir defeitos parciais depois de cirurgia conservadora é desaconselhado, salvo em situações individuais e com aviso do risco de resultado estético ruim;
  • a reconstrução imediata no carcinoma inflamatório permaneceu como contraindicação relativa.

Quem decide e como o plano é feito

A revisão Cochrane conclui que a escolha da operação deve ser feita em conjunto entre a equipe e a paciente, depois de conversar sobre riscos e benefícios personalizados e levar em conta as características do tumor (Nanda e colaboradores, Cochrane, 2021). O consenso da SBM acrescenta que a técnica deve ser individualizada e que a ressonância das mamas antes da operação deve ser pedida caso a caso (Urban e colaboradores, SBM, 2015).

Na Preciore, a Dra. Gláucia Cordeiro (CRM/MA 4517, RQE 1746), mastologista e cofundadora, atua com cirurgia oncoplástica e reconstrução mamária. Segundo o perfil dela, os exames de imagem e o resultado da biópsia entram no planejamento, e o plano de reconstrução é conversado antes da cirurgia. A conversa começa na consulta com mastologista, onde se definem os exames e o plano para o seu caso.

Para essa consulta, vale levar as imagens e os laudos, o resultado da biópsia e uma lista de perguntas, como estas:

  1. Meu caso permite conservar a mama?
  2. Qual é o volume previsto da retirada e como a mama será remodelada?
  3. Será necessário tratar a outra mama para manter a simetria?
  4. Quais são os riscos de complicação e o que pode mudar depois da radioterapia?
  5. Se eu precisar de reconstrução, ela pode ser no mesmo tempo da cirurgia?

Os direitos legais ligados à reconstrução estão explicados em direitos da paciente com câncer de mama: benefícios e prazos legais.

Fontes consultadas:

  • Nanda A e colaboradores. Oncoplastic breast-conserving surgery for women with primary breast cancer. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2021. DOI 10.1002/14651858.CD013658.pub2. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34713449/
  • Clough KB e colaboradores. Improving breast cancer surgery: a classification and quadrant per quadrant atlas for oncoplastic surgery. Annals of Surgical Oncology, 2010. DOI 10.1245/s10434-009-0792-y. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20140531/
  • Urban C e colaboradores. Cirurgia oncoplástica e reconstrutiva da mama: Reunião de Consenso da Sociedade Brasileira de Mastologia. Revista Brasileira de Mastologia, 2015. DOI 10.5327/Z201500040002RBM. https://mastology.org/rbm/article/download/190/161/183
  • De La Cruz L e colaboradores. Outcomes after oncoplastic breast-conserving surgery in breast cancer patients: a systematic literature review. Annals of Surgical Oncology, 2016. DOI 10.1245/s10434-016-5313-1. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27357177/
  • Rutherford CL, Barker S, Romics L. A systematic review of oncoplastic volume replacement breast surgery: oncological safety and cosmetic outcome. Annals of the Royal College of Surgeons of England, 2022. DOI 10.1308/rcsann.2021.0012. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34767472/
  • Cavalcante FP e colaboradores. Oncoplastic surgery in the treatment of breast cancer: a review of evolution and surgical training. Chinese Clinical Oncology, 2025. DOI 10.21037/cco-24-140. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40337876/

Perguntas frequentes

O que é cirurgia oncoplástica da mama?

É a operação que retira o tumor e usa técnicas de cirurgia plástica para remodelar o que fica da mama no mesmo ato cirúrgico (Nanda e colaboradores, Cochrane, 2021). A meta é tratar o câncer com segurança e preservar a forma da mama, sem prometer um resultado estético específico.

Qual a diferença entre cirurgia oncoplástica e mastectomia?

Na cirurgia oncoplástica a mama é conservada: retira-se o tumor e remodela-se o tecido restante. Na mastectomia a mama é retirada, e a reconstrução pode ser feita no mesmo tempo ou depois. A classificação de Clough descreve a oncoplastia como uma terceira via entre a cirurgia conservadora padrão e a mastectomia (Clough e colaboradores, 2010).

Cirurgia oncoplástica é segura para o câncer de mama?

Uma revisão de 55 estudos concluiu pela segurança oncológica em tumores iniciais (De La Cruz e colaboradores, 2016). A revisão Cochrane de 2021 não demonstrou inferioridade, mas considera a evidência muito incerta e aponta que pode haver mais complicações do que na cirurgia conservadora padrão. A decisão é individual.

Toda mulher com câncer de mama pode fazer cirurgia oncoplástica?

Não é possível dizer sem avaliar o caso. O consenso da SBM mostra que tumores multifocais e a idade acima de 70 anos, isoladamente, não são contraindicação, mas há situações com limites, como margem comprometida, radioterapia prevista e carcinoma inflamatório (Urban e colaboradores, SBM, 2015). Quem define é a equipe, com você.

A mama fica igual à de antes depois da cirurgia oncoplástica?

Não é possível prometer. O resultado estético varia de mulher para mulher e depende do volume retirado, do local do tumor, do tecido da mama e de tratamentos como a radioterapia. A revisão Cochrane aponta satisfação aparentemente melhor com a técnica, mas com evidência de baixa qualidade (Nanda e colaboradores, Cochrane, 2021).

Cirurgia oncoplástica e reconstrução da mama são a mesma coisa?

Estão relacionadas, mas não são idênticas. O consenso da SBM usa o termo cirurgia oncoplástica e reconstrutiva da mama para o conjunto de técnicas, que inclui a remodelagem depois da retirada parcial do tumor e a reconstrução depois da mastectomia (Urban e colaboradores, SBM, 2015).

Resumo

A cirurgia oncoplástica da mama retira o tumor e remodela o tecido no mesmo ato. Ela se organiza em níveis, conforme o volume retirado, e pode deslocar tecido da própria mama, repor volume com tecido de outra região e considerar a simetria entre as mamas (Clough e colaboradores, 2010).

As evidências indicam que a técnica não foi demonstrada inferior à cirurgia conservadora padrão, mas a qualidade dos estudos é limitada e pode haver mais complicações (Nanda e colaboradores, Cochrane, 2021). O resultado estético não pode ser prometido.

A decisão é da equipe, com você, depois de avaliar exames, biópsia e o tratamento previsto. Este texto é educativo e não substitui a avaliação do médico que acompanha você.

Teste o que você aprendeu

Na classificação de Clough e colaboradores, o que diferencia a cirurgia oncoplástica de nível I da de nível II?

Ficou com alguma dúvida sobre o seu caso?

A equipe da Preciore atende em São Luís, no Jardim Renascença, com consulta e exames no mesmo endereço.

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