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Mamotomia: como funciona a biópsia de mama a vácuo, passo a passo

Biópsia por agulha guiada por imagem, com anestesia local, sem corte cirúrgico e sem pontos. O que acontece antes, durante e depois.

Marcio Moreira, Estrategista de conteúdo e SEO do blog da Clínica PrecioreMarcio MoreiraEstrategista de conteúdo e SEOPublicado em 28 de julho de 2026
Procedimento de mama guiado por ultrassonografia na Clínica Preciore, em São Luís

Mamotomia: como funciona a biópsia de mama a vácuo, passo a passo

Neste artigo você vai descobrir:

  • Por que o médico pediu a biópsia e o que BI-RADS 4 quer dizer
  • Como é feita a mamotomia, quanto tempo leva e o que se sente
  • Por que fica um clipe metálico na mama e para que ele serve
  • Recuperação, hematoma esperado e quem explica o laudo

O que é mamotomia, a biópsia de mama a vácuo

Mamotomia é uma biópsia de mama percutânea assistida a vácuo. O procedimento usa uma agulha introduzida por uma incisão de poucos milímetros na pele, guiada por um exame de imagem que mostra ao médico exatamente onde está a alteração, sob anestesia local. É um procedimento ambulatorial: sem corte cirúrgico, sem pontos e sem internação.

A palavra assusta mais do que o procedimento. Ela junta o nome da mama com a ideia de retirar uma amostra, e é isso que acontece: um fragmento de tecido sai da mama para ser analisado no laboratório, sem que a mama precise ser aberta.

Por que se chama biópsia a vácuo assistida

O "a vácuo" do nome descreve o mecanismo. A sonda usada na mamotomia aplica sucção para trazer o tecido até a agulha, e isso permite recolher mais material em uma única entrada, sem precisar puncionar a mama várias vezes.

A radiologista Dra. Beatriz Maranhão, em material publicado em 2018, define a mamotomia como a biópsia a vácuo de fragmento de lesão mamária e destaca que o volume de tecido obtido é maior que o das biópsias convencionais. É essa característica que sustenta a maior parte das indicações do método.

Você também vai encontrar a técnica escrita como biópsia vácuo assistida e pela sigla VAB, nomenclatura que aparece em material educativo da Sociedade Brasileira de Mastologia Regional São Paulo. São nomes diferentes para o mesmo procedimento.

Mamotomia é exame de diagnóstico, não é tratamento

Essa distinção causa muita confusão e merece ser dita com todas as letras. A mamotomia existe para dar um diagnóstico, não para tratar. Dra. Beatriz Maranhão, 2018, reforça que o objetivo do procedimento é o diagnóstico pré-operatório, e não o tratamento definitivo.

Acontece de o achado sair por completo durante a coleta, porque a amostragem é generosa. Isso não transforma o exame em tratamento e não encerra o assunto. O material continua indo para análise, e a conduta continua sendo definida depois, com o laudo em mãos.

A literatura publicada permite dizer justamente o contrário: chegar ao diagnóstico correto por uma via minimamente invasiva evita cirurgia desnecessária nos casos que se confirmam benignos. É a conclusão dos autores do estudo publicado na Radiologia Brasileira em 2018, que descreve a técnica como alternativa segura e minimamente invasiva à biópsia cirúrgica.

Por que o médico pediu a biópsia: o que o BI-RADS quer dizer

BI-RADS é a forma padronizada de classificar o que apareceu no exame de imagem da mama. Cada categoria indica o grau de suspeita do achado e a conduta que costuma acompanhá-lo. A categoria 4 aponta um achado que precisa ser investigado, e investigar é justamente o que a biópsia faz.

BI-RADS 4 não é diagnóstico de câncer

Segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia, em publicação de 2026 assinada pela Dra. Lorena Mendonça, BI-RADS 4 significa achado que exige mais investigação, e não diagnóstico de câncer.

Se existe uma frase para levar deste texto, é essa. O laudo de imagem descreveu algo que não dá para classificar apenas olhando. A biópsia é o passo que troca a dúvida por uma resposta.

As subcategorias 4A, 4B e 4C

A Sociedade Brasileira de Mastologia, 2026, publica a estratificação da categoria 4 em três subcategorias, cada uma com uma faixa de probabilidade de malignidade:

Subcategoria Grau de suspeita Faixa de probabilidade
BI-RADS 4A suspeita baixa 2% a 10%
BI-RADS 4B suspeita moderada 10% a 50%
BI-RADS 4C suspeita alta 50% a 95%

Fonte: Sociedade Brasileira de Mastologia, 2026.

Essas faixas descrevem a categoria, não descrevem você. Elas resumem o comportamento estatístico de um grupo de achados semelhantes, e é assim que o médico as usa: para decidir o próximo passo, não para antecipar um resultado.

Na faixa 4A, por exemplo, a maior parte dos achados termina em lesão benigna, e essa é uma leitura que se pode fazer com serenidade. Prever o seu caso, porém, nem o texto nem a estatística conseguem. Quem interpreta o seu exame é o médico que acompanha você.

Que tipo de achado costuma levar à mamotomia

Os achados que costumam motivar a indicação são microcalcificações e calcificações agrupadas, nódulos, distorção arquitetural, assimetria focal e realce visto na ressonância sem correspondente no ultrassom. São alterações que a imagem mostra mas não classifica sozinha.

Sobre o limiar, o portal Câncer de Mama Brasil, em artigo de 2022 assinado por três médicas, aponta que a mamotomia é indicada quando a alteração de imagem apresenta probabilidade acima de 2% de malignidade. O número coincide com o piso da categoria 4A da Sociedade Brasileira de Mastologia, 2026, que é a referência principal aqui.

Esses achados aparecem em exames como a mamografia e a ultrassonografia mamária, e a decisão de investigar nasce da leitura desses exames pelo médico.

Mamotomia, core biopsy e PAAF: qual é a diferença

As três são formas de retirar amostra da mama com agulha, sem cirurgia aberta. Elas se diferenciam pelo tipo de material que cada uma consegue trazer e pela situação em que cada uma costuma ser usada. Quem escolhe é o médico, a partir do que a imagem mostrou e do tipo de alteração que precisa ser esclarecida.

Aqui entra um aviso de método: não existe, nas fontes publicadas que sustentam este artigo, uma comparação pronta lado a lado das três técnicas com calibre de agulha e número de fragmentos. Por isso a tabela abaixo traz apenas o que está publicado, com a fonte ao lado.

Técnica O que a fonte publicada sustenta Fonte
Mamotomia, biópsia a vácuo Obtém volume de tecido maior que o das biópsias convencionais Dra. Beatriz Maranhão, radiologista, 2018
Core biopsy É o tipo de biópsia mais utilizado atualmente, com sistema fechado que captura o fragmento sem contato com o trajeto de saída Sociedade Brasileira de Mastologia, 2026

Sobre a PAAF, a punção aspirativa por agulha fina, a sigla aparece ao lado das outras duas em material educativo da Sociedade Brasileira de Mastologia Regional São Paulo. Não localizamos publicação com autoria e ano que sustente uma comparação numérica entre as três. Preferimos deixar a lacuna registrada a preencher a tabela com informação que não pudemos conferir.

A core biopsy é, hoje, o caminho mais comum quando o objetivo é obter fragmento de tecido para análise. A mamotomia entra quando o caso pede uma amostra maior, ou quando o alvo é do tipo que exige uma coleta mais ampla para ser bem representado.

Quando a escolha recai sobre a mamotomia

De forma qualitativa, a mamotomia tende a ser escolhida diante de achados como microcalcificações e de situações em que uma amostra de maior volume representa melhor a lesão, característica descrita por Dra. Beatriz Maranhão, 2018.

Isso não é um protocolo e não substitui a avaliação individual. A técnica é escolhida caso a caso pelo médico, que considera o exame de imagem, o tipo de achado e a sua história clínica.

Mamotomia guiada por ultrassom, estereotaxia ou ressonância

A mamotomia é sempre guiada por imagem. O médico precisa ver o alvo enquanto trabalha, e o guia escolhido é aquele em que a alteração aparece com clareza: ultrassom, mamografia com estereotaxia ou tomossíntese e, com menos frequência, ressonância magnética.

O que define o guia escolhido

Dra. Beatriz Maranhão, 2018, menciona as três vias e registra que a ressonância magnética é a menos comum entre elas. A lógica é direta: se a lesão é bem vista ao ultrassom, o ultrassom guia. Se ela só aparece na mamografia, como costuma acontecer com microcalcificações, o guia é a via estereotáxica ou por tomossíntese. Se ela só aparece na ressonância, é a ressonância que guia.

Essa via estereotáxica tem padrão técnico próprio. O American College of Radiology mantém um parâmetro de prática específico para procedimentos intervencionistas da mama guiados por estereotaxia e tomossíntese, revisado em 2024, na Resolução 9.

O documento cobre indicações e contraindicações, escolha do dispositivo, colocação do marcador tecidual, documentação, correlação radiopatológica, garantia de qualidade e qualificação da equipe. Aquilo que parece detalhe operacional é, na verdade, item de um padrão internacional escrito.

Falta aqui uma informação que nenhuma fonte publicada consultada descreve: como cada via é vivida pela paciente em termos de posição do corpo, sensação ou tempo comparado. As vias existem e a escolha depende de como a lesão aparece no exame. O detalhe do seu procedimento é informado pela equipe que vai realizá-lo.

Na Preciore, a condução é feita por médicos com CRM e RQE, e você pode conhecer a equipe antes de ir.

Como se preparar para a mamotomia

A mamotomia é um procedimento ambulatorial. Não há internação e não há anestesia geral. O preparo é curto e é informado pela equipe no momento do agendamento, porque depende do seu caso e da via de imagem escolhida.

De forma geral, o que costuma ser pedido é isto:

  • Levar os exames de imagem anteriores, inclusive os que mostraram o achado.
  • Informar todos os medicamentos em uso, especialmente anticoagulantes e antiagregantes plaquetários.
  • Informar alergias, sobretudo a anestésicos e a antissépticos.
  • Usar roupa confortável e de fácil abertura na parte de cima.
  • Combinar companhia para a volta, o que costuma deixar o dia mais leve.

Sobre anticoagulante e antiagregante, um cuidado importante: circula na internet uma orientação com prazos exatos de suspensão, sem autoria médica e sem fonte. Não siga prazos de página de internet, incluindo esta. Informe o uso à equipe. A conduta é definida caso a caso pelo médico, que considera o motivo pelo qual você toma a medicação.

Se essa é a sua primeira aproximação com exames de mama, o texto sobre o preparo da mamografia ajuda a entender a rotina do dia do exame. Ainda assim, o preparo individual para a biópsia é o que o médico assistente definir.

Como é feita a mamotomia, passo a passo

A sequência é curta e sempre a mesma: assepsia da pele e anestesia local, uma incisão de poucos milímetros por onde a agulha entra guiada pela imagem, a coleta dos fragmentos com auxílio do vácuo e, no fim, compressão do local e curativo. Não há pontos e você vai para casa no mesmo dia.

A anestesia é local e a paciente fica acordada

A anestesia é local, aplicada na pele e no trajeto por onde a agulha vai passar. Você fica acordada, conversando com a equipe, e por isso pode avisar a qualquer momento se algo incomodar.

Não há necessidade de anestesia geral nem de internação. É o mesmo tipo de anestesia usada em procedimentos ambulatoriais pequenos, com a diferença de que aqui o médico está trabalhando com a imagem na tela ao lado.

A incisão e a ausência de pontos

A entrada na pele é de poucos milímetros e não precisa de sutura. O mastologista Dr. Giuliano Tosello, CRM 105.484, descreve a mamotomia como técnica minimamente invasiva indicada para anormalidades não palpáveis, com incisão pequena e sem necessidade de pontos. A página consultada não traz data de publicação, e por isso a informação entra aqui como descrição de fonte médica nomeada, não como diretriz.

É essa característica que responde ao medo de cicatriz visível e de mudança no formato da mama. Fica a marca de uma entrada de agulha, e o local recebe curativo ao final.

Quanto tempo dura o procedimento

Na maior série brasileira publicada sobre o tema, com 205 procedimentos de biópsia a vácuo guiada por ressonância magnética, a duração média foi de 26 minutos, variando de 15 a 61 minutos (Carneiro e colaboradores, Radiologia Brasileira, 2018).

Esse número pede um cuidado que quase nenhum texto sobre mamotomia faz questão de tomar: a série é de procedimentos guiados por ressonância magnética. Ele não pode ser transportado como se fosse o tempo da via por ultrassom ou da via estereotáxica, que têm logística de sala diferente.

Há ainda uma distinção que explica a confusão de prazos que se lê por aí. Tempo de sala e tempo de agulha não são a mesma coisa. Dra. Beatriz Maranhão, 2018, cita cerca de dez minutos para a etapa da coleta em si.

O restante é preparo, posicionamento, localização do alvo pela imagem, compressão e curativo. Quando um texto diz dez minutos e outro diz muito mais, é bem provável que estejam medindo coisas diferentes, e quase nenhum deles avisa isso ao leitor.

O tempo do seu procedimento depende da via de imagem, do tipo de achado e da localização da lesão. A previsão é informada pela equipe no agendamento.

Dói?

Com a anestesia local, a descrição mais comum é de pressão e desconforto no local, não de dor aguda. Sensibilidade é uma experiência individual, e o que uma pessoa sente não define o que a outra vai sentir.

Este texto não vai prometer ausência de dor, porque isso não seria honesto e nenhuma fonte séria promete. É possível dizer, sim, que a anestesia local existe justamente para tornar o procedimento tolerável, que você fica acordada e que avisar a equipe durante a coleta é parte do processo, não incômodo. Se algo doer, a equipe pode complementar a anestesia.

Depois, é comum haver sensibilidade no local por alguns dias, com analgesia conforme a prescrição. Quem avalia o seu caso e escolhe o analgésico é o médico assistente.

O clipe metálico: por que ele fica na mama

Ao final da coleta, é comum que um pequeno marcador seja colocado no ponto exato de onde o tecido saiu. Ele é menor que um grão de arroz, feito de titânio ou de outro material compatível com o corpo, e sua função é permitir que aquela área específica seja localizada em exames futuros.

Muita gente descobre a existência do clipe só quando ele aparece no laudo do exame seguinte, e leva um susto desnecessário. Por isso ele merece explicação antes, e não depois.

Para que serve o marcador

A mastologista Dra. Gabriela Emery, em publicação de 2025, explica que o clipe marca a área biopsiada e permite localizar a alteração depois, o que passa a ser decisivo quando a lesão foi retirada parcial ou totalmente durante a coleta. Sem a marca, a região que precisa ser acompanhada pode simplesmente deixar de ser identificável na imagem.

Segundo a mesma fonte, o marcador permanece na mama na maioria dos casos. Se houver cirurgia depois, ele costuma sair junto com o tecido retirado.

A colocação do marcador não é um detalhe improvisado. O parâmetro de prática do American College of Radiology, revisado em 2024, determina que a documentação especifique o formato do marcador e, havendo mais de um, que cada um seja identificado por formato e por sítio. Existe padrão escrito para isso, e ele serve para que qualquer médico que leia seu exame anos depois saiba o que está vendo.

O clipe atrapalha exames futuros?

Ele foi feito para o contrário. O marcador é de material compatível com o corpo e existe justamente para orientar exames posteriores e, se for o caso, a marcação pré-cirúrgica. Ele é a referência que diz "foi exatamente aqui".

Sobre a pergunta que muita gente faz, se o clipe apita em detector de metal de aeroporto ou de banco, este texto não traz resposta. Não localizamos documentação técnica ou diretriz publicada para sustentar a afirmação, e a regra aqui é não afirmar o que não foi verificado. Se essa é a sua dúvida, leve a pergunta à equipe que realizou o procedimento: quem colocou o marcador tem a documentação técnica dele.

Depois da mamotomia: recuperação, hematoma e volta à rotina

A recuperação da mamotomia é rápida. Compressão do local, curativo e gelo nas primeiras horas fazem parte da rotina do pós, e a maior parte das pacientes retoma as atividades leves em pouco tempo.

Equimose e hematoma, aquela mancha roxa que aparece na mama, estão entre as intercorrências mais frequentes e esperadas. Não são sinal de que algo deu errado.

O que costuma acontecer nas primeiras horas

O padrão é compressão no local logo após a coleta, curativo, gelo e repouso relativo no restante do dia, com analgésico conforme a prescrição.

Sobre os prazos exatos, por quantas horas manter o curativo, por quanto tempo aplicar gelo, as orientações que circulam divergem entre si. Não faz sentido você seguir o prazo de um texto genérico quando existe uma orientação escrita para o seu caso: a que a equipe entregar no dia do procedimento é a que responde pela sua situação.

Hematoma e mancha roxa: até onde é esperado

Essa é a dúvida que mais aparece depois, e ela quase nunca é respondida em artigo. Dra. Beatriz Maranhão, 2018, registra que as complicações mais frequentes da mamotomia são equimose e hematoma, e que o risco de infecção é baixo. Traduzindo: ficar roxa é o cenário previsto, não o cenário ruim.

Sobre frequência, existe número publicado. Na série de 205 procedimentos de biópsia a vácuo guiada por ressonância magnética publicada na Radiologia Brasileira em 2018, houve hematoma em 2,93% dos casos (6 casos), lesão de pele em 0,49% (1 caso) e reação vasovagal em 0,98% (2 casos).

A ressalva se repete de propósito: esses percentuais são daquela via de imagem e daquela série, não são a taxa universal do procedimento.

A coloração da mancha muda com o tempo até desaparecer, como acontece com qualquer equimose. Não vamos dar um prazo em dias, porque nenhuma fonte publicada que consultamos oferece esse número. Se algo fugir do esperado, e a próxima seção descreve o que é isso, leve à equipe.

Sinais que pedem contato com a equipe

Nada aqui é motivo para pânico, e sim para uma ligação. Procure a equipe se houver:

  • Sangramento que não cede com compressão no local.
  • Dor que aumenta com o passar dos dias, em vez de diminuir.
  • Febre.
  • Vermelhidão, inchaço e calor no local do curativo.
  • Saída de secreção pelo ponto de entrada da agulha.

Essa lista é orientação geral. O significado de cada sinal no seu caso só pode ser avaliado pelo médico assistente, e é para isso que existe um canal de contato com a clínica depois do procedimento.

Quando voltar a trabalhar, dirigir e fazer exercício

A retomada é gradual. Atividades leves costumam voltar logo, e esforço físico, carregar peso e exercício intenso costumam ser evitados nos primeiros dias, para não estimular sangramento no local recém puncionado.

Você vai encontrar prazos exatos na internet, do tipo "tantas horas para trabalhar" e "tantos dias para academia". Eles vêm de páginas sem autoria médica e sem fonte, e este texto não os reproduz. O prazo que serve para você é o da orientação de alta entregue pela equipe, que considera a via de imagem usada, o tamanho da área biopsiada e a sua rotina.

A biópsia de mama pode espalhar o câncer?

Não, segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia. Em publicação de 2026 assinada pelo Dr. Thiago Gaspar, CREMESP 196675, a entidade afirma que a evidência científica não mostra aumento de metástase, de recidiva local nem piora de sobrevida por conta da biópsia de mama.

Esse medo é antigo, é comum e quase nunca é endereçado de frente. Ele costuma nascer da ideia de que "mexer" em uma lesão a agita. A mesma publicação da SBM traz o detalhe técnico que ajuda a entender por que isso não se sustenta: a core biopsy, o tipo de biópsia mais utilizado atualmente, usa um sistema fechado que captura o fragmento sem contato com o trajeto de saída.

A lembrança de sempre: a evidência descreve o comportamento do procedimento, não o desfecho do seu caso. A avaliação individual, incluindo a decisão de biopsiar ou de acompanhar, cabe ao médico que acompanha você.

O resultado: o laudo, o patologista e a conferência com a imagem

O material coletado vai para exame anatomopatológico. Quem analisa é o médico patologista, que examina o tecido ao microscópio e emite o laudo. Esse laudo não é lido isolado: ele é discutido com o médico que pediu a biópsia, porque precisa ser interpretado junto com a imagem e com a história clínica.

O que o laudo pode mostrar

Os resultados possíveis se agrupam em três grandes categorias: lesão benigna, lesão de alto risco e carcinoma. Cada uma leva a uma conduta diferente, e nenhuma delas se decide por telefone ou por leitura solitária do papel.

Para dar dimensão, um dado publicado. Na série da Radiologia Brasileira de 2018, com 205 procedimentos de biópsia a vácuo guiada por ressonância magnética, 63% dos resultados foram de lesão benigna (129 lesões), 21% foram malignos (43 lesões) e 16% foram lesões de alto risco (33 lesões). O sucesso técnico do procedimento foi de 95%.

Esses percentuais descrevem aquela série específica, com aquela via de imagem e aquele perfil de pacientes. Eles não são a probabilidade do seu resultado e não devem ser lidos como tal.

Estão aqui porque é o dado brasileiro publicado e revisado por pares que existe sobre o tema, e porque conhecer a origem de um número é melhor do que conviver com estimativas soltas.

Dependendo do que o laudo mostrar, o médico pode solicitar exames complementares no mesmo material, como imuno-histoquímica e pesquisa de receptores hormonais. São etapas de caracterização, e o que elas significam para a conduta é assunto de consulta.

Por que o radiologista confere se o laudo bate com a imagem

Existe uma etapa que quase ninguém explica à paciente e que costuma gerar angústia quando aparece de surpresa: a correlação radiopatológica. É o momento em que o médico confere se o resultado do patologista é compatível com o que a imagem mostrava.

Não é um capricho. A correlação radiopatológica está entre os itens cobertos pelo parâmetro de prática do American College of Radiology revisado em 2024, ao lado de indicações, escolha de dispositivo, colocação de marcador, documentação e qualificação da equipe. É parte do padrão técnico do procedimento.

Traduzindo para o que isso significa no seu dia: às vezes a investigação precisa ser complementada, e isso não quer dizer que alguma coisa deu errado. A imagem e o laudo precisam contar a mesma história, e quando não contam, o caminho responsável é olhar de novo. Saber disso antes evita um susto depois.

Em quanto tempo sai o resultado

O prazo de entrega do laudo anatomopatológico é informado pela clínica no momento do agendamento, porque depende do laboratório e do tipo de análise necessária. Nenhuma fonte publicada que consultamos estabelece um prazo padrão, então não vamos inventar um número aqui.

Importa saber quem explica: o laudo é discutido em consulta com o mastologista, que o interpreta junto com a imagem e define a conduta com você. Ler o papel sozinha antes dessa conversa costuma gerar mais angústia do que informação, porque a linguagem do anatomopatológico não foi escrita para o paciente.

Perguntas frequentes

O que é mamotomia?

Mamotomia é uma biópsia de mama a vácuo: uma agulha, guiada por exame de imagem e com anestesia local, retira fragmentos de tecido da mama através de uma incisão de poucos milímetros, sem corte cirúrgico e sem pontos. É procedimento ambulatorial, sem internação. A radiologista Dra. Beatriz Maranhão, 2018, descreve que o volume de tecido obtido é maior que o das biópsias convencionais. A mamotomia é exame de diagnóstico, não é tratamento, e a indicação parte da avaliação do médico que acompanha você.

A mamotomia dói?

Com a anestesia local, a descrição mais comum é de pressão e desconforto no local, não de dor aguda. A sensibilidade varia de pessoa para pessoa, e este texto não promete ausência de dor. Você fica acordada durante a coleta e pode avisar a equipe a qualquer momento se algo incomodar, inclusive para que a anestesia seja complementada. Depois, é comum haver sensibilidade por alguns dias, com analgesia conforme a prescrição. Quem avalia o seu caso é o médico assistente.

Quanto tempo dura o procedimento?

Na série publicada na Radiologia Brasileira em 2018, com 205 procedimentos de biópsia a vácuo guiada por ressonância magnética, a duração média foi de 26 minutos, variando de 15 a 61 minutos (Carneiro e colaboradores). Esse número é da via por ressonância e não serve automaticamente para o ultrassom nem para a estereotaxia. Tempo de sala e tempo de agulha também são coisas diferentes: Dra. Beatriz Maranhão, 2018, cita cerca de dez minutos para a etapa da coleta em si. A previsão do seu caso é informada pela equipe no agendamento.

Precisa de internação, jejum ou anestesia geral?

A mamotomia é um procedimento ambulatorial feito com anestesia local: não há internação e não há anestesia geral, e a paciente vai para casa no mesmo dia. O preparo, incluindo qualquer orientação sobre jejum e sobre medicamentos em uso, é definido caso a caso e informado pela equipe no agendamento. Se você usa anticoagulante ou antiagregante plaquetário, informe antes: a conduta é decidida pelo médico, que considera o motivo pelo qual você toma a medicação.

Fica cicatriz? Precisa de pontos?

A entrada na pele é de poucos milímetros e não precisa de pontos. Fica a marca de uma entrada de agulha, e o local recebe curativo ao final do procedimento. O mastologista Dr. Giuliano Tosello, CRM 105.484, descreve a mamotomia como técnica minimamente invasiva indicada para anormalidades não palpáveis, com incisão pequena e sem necessidade de sutura. A página consultada não traz data de publicação, e a informação entra aqui como descrição de fonte médica nomeada. A avaliação individual continua sendo do médico que acompanha você.

É normal ficar roxo ou com hematoma depois?

Sim. Equimose e hematoma estão entre as intercorrências mais frequentes e esperadas da mamotomia, e o risco de infecção é baixo, segundo Dra. Beatriz Maranhão, 2018. Ficar roxa é o cenário previsto, não sinal de que algo deu errado. Sobre frequência, na série de 205 procedimentos guiados por ressonância magnética publicada na Radiologia Brasileira em 2018, houve hematoma em 2,93% dos casos. Esse percentual é daquela via e daquela série. A coloração muda com o tempo até desaparecer, e não damos prazo em dias porque nenhuma fonte publicada oferece esse número. Sangramento que não cede, dor que aumenta, febre ou vermelhidão com calor no local pedem contato com a equipe.

Qual a diferença entre mamotomia, core biopsy e PAAF?

As três retiram amostra da mama com agulha, sem cirurgia aberta, e quem escolhe é o médico a partir do que a imagem mostrou. O que está publicado é que a mamotomia obtém volume de tecido maior que o das biópsias convencionais (Dra. Beatriz Maranhão, 2018) e que a [core biopsy](/servicos/core-biopsy) é o tipo de biópsia mais utilizado atualmente, com sistema fechado que captura o fragmento sem contato com o trajeto de saída (Sociedade Brasileira de Mastologia, 2026). Sobre a PAAF, a punção aspirativa por agulha fina, não localizamos publicação com autoria e ano que sustente uma comparação numérica entre as três técnicas, e por isso não afirmamos calibre de agulha nem número de fragmentos. A técnica é escolhida caso a caso pelo médico.

Por que colocam um clipe metálico na mama?

O clipe é um marcador colocado no ponto exato de onde o tecido saiu, para que aquela área possa ser localizada em exames futuros. Ele é menor que um grão de arroz e feito de titânio ou de outro material compatível com o corpo. A mastologista Dra. Gabriela Emery, 2025, explica que o marcador permanece na mama na maioria dos casos e, havendo cirurgia depois, costuma sair junto com o tecido retirado. O parâmetro de prática do American College of Radiology, revisado em 2024, determina que a documentação da colocação especifique o formato do marcador e, havendo mais de um, identifique cada um por formato e por sítio. Dúvidas sobre o marcador usado no seu procedimento devem ser levadas à equipe que o realizou.

Resumo

A Clínica Preciore, em São Luís, é dedicada exclusivamente à saúde da mama e realiza biópsias de mama guiadas por imagem. A equipe é formada por médicos com CRM e RQE, e a indicação da mamotomia parte sempre da avaliação médica e dos exames de imagem já realizados.

Para o dia do procedimento, leve os exames de imagem anteriores e informe na recepção o uso de medicamentos e alergias. Pergunte também à equipe o prazo previsto para a entrega do laudo, que é informado no agendamento.

Os planos de saúde atendidos estão listados na página de convênios, e dúvidas sobre horários e documentação podem ser tratadas pelos canais de contato ou pela página de agendamento.

Ficou com alguma dúvida sobre o seu caso?

A equipe da Preciore atende em São Luís, no Jardim Renascença, com consulta e exames no mesmo endereço.

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