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Nódulo cresceu 1 mm no ultrassom: é crescimento de verdade?

Uma diferença de 1 mm pode estar dentro da variação da medida. Veja como a literatura avalia crescimento, por que o contexto do exame importa e por que a conduta é decidida pela médica.

Marcio Moreira, Estrategista de conteúdo e SEO do blog da Clínica PrecioreMarcio MoreiraEstrategista de conteúdo e SEOPublicado em 06 de novembro de 2026
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Nódulo cresceu 1 mm no ultrassom: é crescimento de verdade?

Neste artigo você vai descobrir:

  • Por que 1 mm de diferença entre dois ultrassons pode estar dentro da variação da medida
  • Como os estudos avaliam crescimento: percentual ou volume, em um intervalo de tempo
  • Por que crescer não é o mesmo que ser câncer e o que pesa na avaliação
  • Como ajudar a médica a comparar os exames e quando não esperar o controle

Uma diferença de 1 mm entre dois ultrassons, sozinha, costuma ser pequena demais para afirmar que o nódulo cresceu: ela pode estar dentro da variação da própria medida. Em um estudo com 80 massas classificadas como BI-RADS 3, medidas por quatro médicos com experiências diferentes, a proporção de medidas com diferença clinicamente relevante entre pares de examinadores chegou a 43,7% para o maior diâmetro (Francisco et al., 2017). Ou seja, a medida do ultrassom não é um número exato.

O que define se houve crescimento de verdade é a avaliação da médica, olhando o conjunto do exame. Este texto explica como o assunto é tratado na literatura e não interpreta casos individuais. Cada caso exige avaliação médica.

Por que a medida de um nódulo muda de um ultrassom para outro

O ultrassom depende de quem está com o transdutor na mão. A médica escolhe os cortes da imagem e marca as bordas do nódulo para medir, e a medida depende de quem examina e do ângulo do transdutor.

O estudo de Francisco e colaboradores comparou justamente isso. Quatro médicos mediram 80 massas BI-RADS 3 de duas formas, por distâncias (os diâmetros) e por volume (Francisco et al., 2017):

  • Maior diâmetro: a proporção de medidas com diferença clinicamente relevante entre pares de examinadores variou de 17,5% a 43,7%.
  • Diâmetro transversal: de 28,7% a 55%.
  • Volume: de 6,2% a 13,7%, a menor variação entre as técnicas.

Os autores concluíram que a medida por volume teve menos variação e que as medidas de distância, usadas na rotina, tiveram taxas inaceitáveis de variação clinicamente relevante (Francisco et al., 2017). É um único estudo, com poucos examinadores, mas ele ajuda a entender por que um milímetro isolado não responde à pergunta.

O que é crescimento de verdade: percentual, volume e intervalo

Os estudos que acompanham nódulos provavelmente benignos não usam um milímetro isolado. Eles comparam a mudança em percentual ou em volume ao longo de um intervalo de tempo:

  • Fibroadenomas confirmados por punção. Um estudo com 1.070 pacientes calculou a variação de volume e de dimensões a cada controle. Os autores propuseram que uma variação média de dimensão de até 20% em um intervalo de 6 meses é aceitável para seguir em acompanhamento, e os nódulos retirados que cresciam mais devagar que os limites propostos eram benignos (Gordon et al., 2003).
  • Lesões provavelmente benignas no ultrassom. Em uma revisão de 19.435 exames, os pesquisadores compararam o aumento de volume, o aumento de volume por mês, o maior aumento de diâmetro e o aumento de diâmetro por mês (Moon et al., 2011).
  • Lesões BI-RADS 3 acompanhadas. Em uma série de 12.514 lesões, as que cresceram 20% ou mais no controle foram 5,9% do total (Ha et al., 2018).

Não existe um número único aceito por todos: cada estudo usa seus critérios. Nos textos sobre o BI-RADS v2025 consultados para este artigo, o controle de um achado BI-RADS 3 é descrito por intervalos de tempo (cerca de 6 meses, mais 6 meses e depois a cada 12 meses, até documentar 2 anos de estabilidade), e não por um valor fixo em milímetros (Kang, 2026).

Também pesa o tamanho do nódulo. Um milímetro em um nódulo de 20 mm é 5% do diâmetro, e em um nódulo de 5 mm é 20%. É por isso que um número solto, sem o contexto, não basta, e que a médica olha o percentual, o intervalo e o aspecto do achado juntos.

Crescer não é o mesmo que ser câncer

O BI-RADS 3 significa provavelmente benigno, com risco de câncer maior que 0% e de até 2% (Kaplan e Aydemir, 2026). Quando o controle mostra mudança de verdade, o achado é reavaliado, e crescimento não quer dizer câncer:

  • Entre 214 lesões provavelmente benignas que cresceram no controle, 22 (10,3%) eram malignas e 192 (89,7%) eram benignas (Moon et al., 2011).
  • Em outra série de lesões BI-RADS 3 com crescimento, a taxa de malignidade foi de 3,4% (Yoon et al., 2012), e, entre as que cresceram 20% ou mais, de 4,9% (Ha et al., 2018).

Os valores variam entre serviços e descrevem grupos de mulheres, não o seu caso. O que mais pesou nesses estudos foi a mudança de aspecto. Quando surgiram características suspeitas, 38,5% das lesões eram malignas, contra 4% quando elas não surgiram (Moon et al., 2011). O aumento de tamanho sem mudança de forma ao ultrassom e sem sinais suspeitos na mamografia teve risco de 1,9% (Ha et al., 2018).

As conclusões também diferem: um estudo recomendou biópsia diante de crescimento (Moon et al., 2011), e outro sugeriu que um crescimento pequeno, sem mudança de forma e com mamografia benigna, pode seguir em acompanhamento (Ha et al., 2018). Esse desencontro é uma das razões pelas quais a conduta é decidida pela médica que acompanha o seu caso. O texto sobre BI-RADS 3 e o controle de 6 meses detalha o seguimento.

Como ajudar a médica a comparar os exames

A comparação com exames anteriores faz parte da leitura. Uma revisão do manual BI-RADS v2025 registra que a comparação com exames anteriores deve ocorrer quando há imagens disponíveis, e que a busca de imagens de outros serviços é estimulada quando for viável (Kang, 2026). Como a medida varia entre examinadores (Francisco et al., 2017), ver as imagens, e não só o número do laudo, ajuda a perceber se o nódulo mudou.

Na prática:

  • Guarde as imagens dos seus ultrassons (CD, pen drive ou link), e não só o laudo. O texto sobre por que levar as imagens dos exames antigos explica o motivo.
  • Anote a data e o motivo de cada exame e leve tudo à consulta.
  • Pergunte à médica o que mudou: o tamanho, a forma ou o contorno, e quando será o próximo controle.
  • Não espere a data do controle se notar um nódulo que endurece ou cresce, vermelhidão com calor, secreção com sangue ou um gânglio na axila: esses sinais pedem avaliação médica antes do prazo.

A ultrassonografia mamária é um dos exames realizados na Preciore, e é a médica que acompanha o seu caso quem define se uma diferença de medida muda a conduta.

Fontes consultadas:

  • Francisco J, Jales RM, de Oliveira ADB, Arguello CHF. Variations in the sonographic measurement techniques of BI-RADS 3 breast masses. Journal of Clinical Ultrasound, 2017. https://doi.org/10.1002/jcu.22475
  • Gordon PB, Gagnon FA, Lanzkowsky L. Solid breast masses diagnosed as fibroadenoma at fine-needle aspiration biopsy: acceptable rates of growth at long-term follow-up. Radiology, 2003. https://doi.org/10.1148/radiol.2291010282
  • Moon HJ, Kim EK, Kwak JY, Yoon JH. Interval growth of probably benign breast lesions on follow-up ultrasound: how can these be managed? European Radiology, 2011. https://doi.org/10.1007/s00330-010-2012-3
  • Yoon JH, Kim EK, Kwak JY, Moon HJ. Is US-guided core needle biopsy (CNB) enough in probably benign nodules with interval growth? Ultraschall in der Medizin, 2012. https://doi.org/10.1055/s-0032-1313208
  • Ha SM, Chae EY, Cha JH, Shin HJ et al. Growing BI-RADS category 3 lesions on follow-up breast ultrasound: malignancy rates and worrisome features. The British Journal of Radiology, 2018. https://doi.org/10.1259/bjr.20170787
  • Kang BJ. Breast Imaging Reporting and Data System v2025: Key Updates in Mammography. Journal of the Korean Society of Radiology, 2026. https://doi.org/10.3348/jksr.2026.0028
  • Kaplan E, Aydemir AB. How Does ACR BI-RADS v2025 Change the Radiologist's Approach? A Practical Guide Across Mammography, Ultrasound, and MRI: A Narrative Review. Diagnostics, 2026. https://doi.org/10.3390/diagnostics16132135

Perguntas frequentes

Nódulo cresceu 1 mm no ultrassom, é grave?

Uma diferença de 1 mm costuma ser pequena e pode estar dentro da variação da medida entre examinadores (Francisco et al., 2017). Só a médica, comparando as imagens e o aspecto do nódulo, define se houve mudança. Cada caso exige avaliação médica.

A medida do nódulo muda de um ultrassom para outro?

Pode mudar. Em um estudo com 80 massas BI-RADS 3 medidas por quatro médicos, houve diferenças clinicamente relevantes entre examinadores nas medidas de diâmetro, e a menor variação foi com a medida por volume (Francisco et al., 2017).

Quanto o nódulo precisa crescer para ser considerado crescimento?

Não há um número único aceito por todos. Os estudos usam percentual ou volume em um intervalo de tempo: um deles propôs até 20% de variação de dimensão em 6 meses como aceitável para fibroadenomas confirmados por punção (Gordon et al., 2003). A médica avalia o conjunto.

Nódulo que cresce no ultrassom é câncer?

Não necessariamente. Entre 214 lesões provavelmente benignas que cresceram, 10,3% eram malignas e 89,7% eram benignas (Moon et al., 2011). Outra série encontrou 4,9% (Ha et al., 2018). Mudança de aspecto pesa mais que o tamanho isolado.

Por que levar as imagens do ultrassom anterior e não só o laudo?

Porque a medida varia entre examinadores (Francisco et al., 2017), e a comparação com exames anteriores faz parte da leitura. A revisão do BI-RADS v2025 estimula a busca de imagens de outros serviços quando viável (Kang, 2026).

Se um nódulo BI-RADS 3 crescer, o que acontece?

Se o controle mostra mudança, o achado deixa de ser provavelmente benigno e é reavaliado, com a biópsia entrando em consideração (Moon et al., 2011; Ha et al., 2018). A conduta é definida pela médica que acompanha o seu caso.

Resumo

Uma diferença de 1 mm entre dois ultrassons, sozinha, costuma ser pequena demais para indicar crescimento, porque a medida varia entre examinadores (Francisco et al., 2017). Os estudos avaliam crescimento em percentual ou em volume, ao longo de um intervalo, e junto com o aspecto do nódulo.

Crescer não é o mesmo que ser câncer, e quem define a conduta é a médica que acompanha o seu caso. Guarde as imagens dos exames, leve-as à consulta e não espere o controle se notar nódulo que endurece ou cresce, secreção com sangue ou alteração na pele.

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