Pós-operatório de mastectomia e esvaziamento axilar: o que esperar
Dreno, dor, inchaço, dormência no braço e rigidez no ombro estão entre os efeitos descritos depois da cirurgia. Veja o que costuma acontecer, os cuidados e os sinais de alerta, sem prazos.
Marcio MoreiraEstrategista de conteúdo e SEOPublicado em 05 de novembro de 2026
Pós-operatório de mastectomia e esvaziamento axilar: o que esperar
Neste artigo você vai descobrir:
- O que costuma aparecer nos primeiros dias, como dreno, dor, inchaço e seroma, e como cuidar
- Por que o braço pode ficar dormente ou com sensação de repuxar depois da retirada dos linfonodos
- O que a literatura diz sobre exercícios, mobilidade do ombro e fisioterapia
- Quais sinais, como febre, vermelhidão ou secreção, pedem contato com a equipe
No pós-operatório de mastectomia com esvaziamento axilar, o que costuma aparecer é dreno, dor ou repuxamento, inchaço na região operada, dormência na parte interna do braço e limitação do movimento do ombro. A American Cancer Society (ACS) lista esses efeitos entre os possíveis depois da cirurgia da mama e da retirada dos linfonodos da axila (ACS, Mastectomy, 2026; ACS, Lymph Node Surgery, 2026). O ritmo muda de mulher para mulher e com o tipo de cirurgia, por isso este texto descreve o que costuma acontecer, sem prazos, e quem orienta o seu caso é a equipe que operou.
O que costuma acontecer depois da cirurgia
A ACS cita, entre os possíveis efeitos da mastectomia, dor ou sensibilidade e inchaço no local da cirurgia, acúmulo de sangue (hematoma) ou de líquido claro (seroma) na ferida, limitação do movimento do braço e do ombro e dormência no tórax ou na parte de cima do braço. Complicações como sangramento e infecção são possíveis em qualquer cirurgia (ACS, Mastectomy, 2026). Quando os linfonodos da axila também são retirados, o quadro pode incluir sensibilidade aumentada, formigamento e inchaço no braço (ACS, Lymph Node Surgery, 2026).
Antes de ir para casa, a equipe costuma explicar como cuidar da ferida, do curativo e do dreno, quando voltar a usar o braço, quais exercícios fazer e quando voltar às consultas. A ACS também lembra que a equipe fala das mudanças emocionais e dos sentimentos sobre a imagem corporal (ACS, Mastectomy, 2026).
Dreno e seroma: para que servem e como cuidar
O dreno é um tubinho que sai da área operada e se liga a uma bolsa fora do corpo, que recolhe o líquido que se acumula durante a cicatrização (ACS, Mastectomy, 2026). Quando esse líquido se junta sob a pele, forma o seroma.
Uma revisão de 6 ensaios clínicos com 585 mulheres, depois do esvaziamento axilar, observou que ter dreno reduziu a taxa de seroma, sem aumentar a infecção, embora tenha prolongado a permanência no hospital (He et al., 2011).
O INCA orienta, para quem tem dreno (INCA, 2012):
- prender o dreno à roupa e usar roupas mais largas para acomodá-lo;
- esvaziar o coletor duas vezes ao dia e anotar a quantidade de secreção;
- avisar a equipe se o dreno sair sem querer, se não houver nenhuma secreção por 24 horas, se a bolsa encher de ar sozinha ou se surgir inchaço ou abaulamento perto da ferida.
A retirada do dreno é decisão da equipe.
Dormência, formigamento e dor: o que é esperado
A dormência da pele na parte de cima e de dentro do braço é um efeito comum da cirurgia nos linfonodos, porque o nervo responsável pela sensibilidade dessa área passa pela região da axila (ACS, Lymph Node Surgery, 2026). Ardência, formigamento e dormência na parte de trás do braço e na parede do tórax também podem ocorrer, e podem até aumentar algumas semanas depois da cirurgia. Passar a mão ou um pano macio na área às vezes ajuda a reduzir a sensibilidade (ACS, Exercises After Breast Cancer Surgery, 2026).
Alguma sensação de repuxar ou de tensão no tórax e na axila é esperada, e deve diminuir com os exercícios. Se não diminuir, avise a equipe (ACS, Exercises After Breast Cancer Surgery, 2026). Dor em queimação ou em choque que não passa pode ser a síndrome de dor pós-mastectomia, e merece avaliação (ACS, Mastectomy, 2026).
Outra queixa possível é a corda axilar, uma estrutura em forma de corda que começa sob o braço e pode descer até o cotovelo, causando dor e limitando o movimento. É mais comum depois do esvaziamento axilar, pode aparecer semanas ou meses depois e, em geral, some sem tratamento, embora a fisioterapia ajude algumas pessoas (ACS, Lymph Node Surgery, 2026). Uma revisão de 37 estudos concluiu que a corda parece comum e que a evidência sobre o tratamento ainda é insuficiente (Yeung et al., 2015).
Movimento do ombro: exercícios e fisioterapia
A dor e a rigidez podem enfraquecer o braço e o ombro e atrapalhar tarefas como se vestir e pentear o cabelo, e os exercícios ajudam a recuperar o movimento. Segundo a ACS (Exercises After Breast Cancer Surgery, 2026):
- só comece depois da liberação da equipe, e alguns exercícios esperam a retirada do dreno e dos pontos;
- os primeiros movimentos são suaves, como levantar e baixar os braços e abrir e fechar a mão, e o alongamento não deve doer;
- exercícios de força entram mais tarde, de forma gradual e com orientação;
- pare e avise a equipe se a fraqueza aumentar, se a dor piorar, se surgir peso, aperto ou inchaço incomum no braço, ou se houver dor de cabeça, tontura, visão turva ou formigamento novo;
- a equipe pode indicar fisioterapia para quem não recupera o uso completo do braço.
Quando começar é decisão da equipe cirúrgica. Uma revisão da Cochrane viu que começar cedo melhorou o movimento do ombro a curto prazo, mas aumentou o volume e o tempo de drenagem da ferida. A fisioterapia trouxe ganho adicional para a função do ombro, e os exercícios não aumentaram o risco de linfedema (McNeely et al., 2010). Outra revisão ligou o início tardio dos exercícios a menos seroma (Shamley et al., 2005).
Cuidados com a ferida e com o braço
Siga as orientações de curativo da equipe. O INCA pede que a paciente procure o hospital diante de febre acima de 38 graus, dor forte que não melhora com medicamento, vermelhidão e inchaço no local da cirurgia e no braço do lado operado, ou secreção do dreno que se torne vermelho vivo e aumente (INCA, 2012).
Para o braço do lado operado, o INCA recomenda cuidado com cortes, queimaduras e picadas de inseto, luvas para jardinagem e trabalhos domésticos e filtro solar, e orienta procurar o hospital se um ferimento no braço não melhorar (INCA, 2012). Essa cartilha também orienta evitar injeção, coleta de sangue e medida de pressão no braço operado. Essas orientações variam entre serviços, e o texto sobre linfedema após a cirurgia da mama mostra o que os estudos observaram. Siga o que a sua equipe indicou.
Sinais de alerta: quando procurar a equipe
Procure a equipe, sem esperar a próxima consulta, se houver:
- febre, dor forte que não melhora, vermelhidão ou inchaço na região operada ou no braço (INCA, 2012);
- mudança na cor e na quantidade do líquido do dreno (INCA, 2012) ou secreção na ferida, que a equipe precisa avaliar;
- inchaço, aperto, peso ou dor no braço, pois a ACS orienta avisar de imediato (ACS, Lymph Node Surgery, 2026);
- formigamento ou dormência novos, dor que piora ou fraqueza que aumenta (ACS, Exercises After Breast Cancer Surgery, 2026).
Linfedema e reabilitação
O linfedema é o inchaço do braço ou do tórax que pode surgir quando os linfonodos são retirados. A ACS estima o risco em cerca de 5% a 17% depois da biópsia do linfonodo sentinela e em cerca de 20% a 30% depois do esvaziamento axilar, e ele pode ser maior com radioterapia ou com índice de massa corporal mais alto (ACS, Lymph Node Surgery, 2026). Para entender melhor, leia linfedema após a cirurgia da mama. Sobre os tipos de cirurgia, veja mastectomia: o que é, quais os tipos e quando é indicada.
Fisioterapia e enfermagem de navegação na Preciore
A Preciore oferece a fisioterapia pós-cirurgia como parte do apoio multiprofissional, e o plano é definido de forma individual. Pelo perfil da fisioterapeuta oncológica da equipe, o trabalho pode começar antes da cirurgia, com avaliação da amplitude e da força do ombro, segue com a mobilização liberada pela equipe cirúrgica e inclui o cuidado com a cicatriz, o manejo da dor e a vigilância do braço operado.
A enfermagem de navegação acompanha a jornada da paciente. Pelo perfil da enfermeira navegadora, ela organiza a sequência de exames, prazos e encaminhamentos, explica cada etapa em linguagem simples e mantém o contato aberto entre uma consulta e outra, inclusive no pós-operatório. Este texto não substitui a orientação de quem operou você.
Fontes consultadas:
- American Cancer Society. Mastectomy for Breast Cancer, revisado em 01/07/2026. https://www.cancer.org/cancer/types/breast-cancer/treatment/surgery-for-breast-cancer/mastectomy.html
- American Cancer Society. Lymph Node Surgery for Breast Cancer, revisado em 01/07/2026. https://www.cancer.org/cancer/types/breast-cancer/treatment/surgery-for-breast-cancer/lymph-node-surgery-for-breast-cancer.html
- American Cancer Society. Exercises After Breast Cancer Surgery, revisado em 01/07/2026. https://www.cancer.org/cancer/types/breast-cancer/treatment/surgery-for-breast-cancer/exercises-after-breast-cancer-surgery.html
- Instituto Nacional de Câncer (INCA). Cuidados após cirurgia de mama com esvaziamento axilar: orientações aos pacientes, 1ª reimpressão, 2012. https://ninho.inca.gov.br/jspui/bitstream/123456789/12447/1/cuidados-apos-cirurgia-de-mama-com-esvaziamento-axilar-2012.pdf
- McNeely ML et al. Exercise interventions for upper-limb dysfunction due to breast cancer treatment. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2010;(6):CD005211. https://doi.org/10.1002/14651858.CD005211.pub2
- Shamley DR et al. Delayed versus immediate exercises following surgery for breast cancer: a systematic review. Breast Cancer Research and Treatment, 2005;90(3):263-271. https://doi.org/10.1007/s10549-004-4727-9
- He XD et al. Whether drainage should be used after surgery for breast cancer? A systematic review of randomized controlled trials. Medical Oncology, 2011;28(Suppl 1):S22-S30. https://doi.org/10.1007/s12032-010-9673-2
- Yeung WM et al. A systematic review of axillary web syndrome (AWS). Journal of Cancer Survivorship, 2015;9(4):576-598. https://doi.org/10.1007/s11764-015-0435-1
Perguntas frequentes
O que esperar do pós-operatório de mastectomia?
A ACS lista dor ou sensibilidade, inchaço no local, seroma, limitação do movimento do braço e do ombro e dormência no tórax ou no braço entre os possíveis efeitos (ACS, Mastectomy, 2026). A intensidade varia, e a equipe orienta o seu caso.
Para que serve o dreno depois da mastectomia?
O dreno é um tubinho ligado a uma bolsa que recolhe o líquido que se acumula enquanto a ferida cicatriza (ACS, Mastectomy, 2026). Em revisão de ensaios com esvaziamento axilar, o dreno reduziu o seroma (He et al., 2011). Quem decide quando retirar é a equipe.
Por que o braço fica dormente depois do esvaziamento axilar?
Porque o nervo que cuida da sensibilidade da parte de cima e de dentro do braço passa pela região dos linfonodos da axila. A ACS descreve a dormência da pele nessa área como um efeito comum da cirurgia nos linfonodos (ACS, Lymph Node Surgery, 2026).
Quando começar os exercícios de ombro depois da cirurgia da mama?
Só depois da liberação da equipe, e alguns exercícios aguardam a retirada do dreno e dos pontos (ACS, Exercises After Breast Cancer Surgery, 2026). Começar cedo melhorou o movimento, mas aumentou a drenagem em revisão da Cochrane (McNeely et al., 2010), por isso a decisão é da equipe cirúrgica.
Quais sinais de alerta no pós-operatório de mastectomia?
O INCA orienta procurar o hospital em caso de febre acima de 38 graus, dor forte que não melhora com medicamento, vermelhidão e inchaço no local ou no braço, ou dreno com secreção vermelho vivo que aumenta (INCA, 2012). Também avise a equipe se o braço inchar ou ficar pesado.
Linfedema pode aparecer depois do esvaziamento axilar?
Pode. A ACS estima o risco em cerca de 20% a 30% depois do esvaziamento axilar e de 5% a 17% depois da biópsia do linfonodo sentinela, e pede para avisar a equipe diante de inchaço, aperto ou dor no braço (ACS, Lymph Node Surgery, 2026).
Resumo
Depois da mastectomia com esvaziamento axilar, é comum ter dreno por um período definido pela equipe, dor ou repuxamento, inchaço, seroma, dormência na parte interna do braço e rigidez no ombro. Os cuidados com a ferida, com o dreno e com o braço, e os exercícios liberados pela equipe, ajudam a atravessar essa fase.
Febre, vermelhidão, secreção, dor forte, inchaço ou peso no braço pedem contato com a equipe, sem esperar a próxima consulta. Cada caso é único, e este texto não substitui a orientação de quem operou você.
O que você pensa disso?
Sobre o pós-operatório de mastectomia e esvaziamento axilar, o que você mais gostaria de entender melhor?
Conta pra gente: qual dessas dúvidas você mais gostaria de ver explicada?
Ficou com alguma dúvida sobre o seu caso?
A equipe da Preciore atende em São Luís, no Jardim Renascença, com consulta e exames no mesmo endereço.
Agendar pelo WhatsApp