Papiloma na mama: o que é e por que costuma ir para biópsia
O papiloma intraductal costuma ser benigno, mas a imagem não fecha o diagnóstico. Veja sintomas, como aparece nos exames, por que a agulha pode não bastar e como é a conduta.
Marcio MoreiraEstrategista de conteúdo e SEOPublicado em 04 de novembro de 2026
Papiloma na mama: o que é e por que costuma ir para biópsia
Neste artigo você vai descobrir:
- O que é o papiloma intraductal e a diferença entre papiloma único e múltiplo
- Quais sintomas ele pode dar, como a secreção no mamilo, e como aparece no ultrassom e na mamografia
- Por que a biópsia de agulha pode não bastar e o que é subestimação
- Como é a conduta: cirurgia quando há atipia e acompanhamento em casos selecionados
Papiloma na mama, ou papiloma intraductal, é um pequeno crescimento de tecido que se forma dentro de um duto mamário. Na maioria das vezes é benigno, mas a imagem sozinha não separa com segurança o papiloma simples de uma lesão com atipia ou, mais raramente, com carcinoma associado, e por isso a investigação costuma incluir biópsia (Nicosia e colaboradores, 2026). Ser encaminhada para a biópsia não quer dizer que é câncer: quer dizer que é preciso analisar o tecido. Cada caso exige avaliação médica.
O que é papiloma intraductal e quem costuma ter
O papiloma é formado por pequenas projeções de tecido, com um eixo de vasos sanguíneos, que crescem para dentro da luz do duto. É a lesão papilar mais comum da mama, representa cerca de 20% das chamadas lesões B3, que são lesões de potencial maligno incerto, e aparece com mais frequência entre 30 e 50 anos (Nicosia e colaboradores, 2026; Elfgen e colaboradores, 2023).
Ele pode ser único ou múltiplo. Em uma coorte de 9.155 mulheres com doença mamária benigna biopsiada entre 1967 e 1991, o risco de câncer associado ao papiloma foi comparado ao esperado na população geral (Lewis e colaboradores, 2006):
| Situação | Risco relativo de câncer |
|---|---|
| Papiloma único | 2,04 |
| Papiloma único com atipia | 5,11 |
| Mais de 5 papilomas | 3,01 |
| Papilomas múltiplos com atipia | 7,01 |
Fonte da tabela: Lewis e colaboradores, 2006.
Segundo os autores, o papiloma único tem risco parecido com o de outras alterações benignas proliferativas, que foi de 1,90 na mesma coorte. Os números descrevem grupos de mulheres, não o risco de uma pessoa, e vêm de um estudo antigo.
Sintomas do papiloma: secreção no mamilo e nódulo atrás da aréola
Nem todo papiloma dá sintoma. Alguns só aparecem em um exame de imagem, muitas vezes na região logo atrás da aréola (Nicosia e colaboradores, 2026). Outros se manifestam por um nódulo palpável (Zhang e colaboradores, 2021) ou por secreção no mamilo.
A secreção que mais chama atenção é a patológica: espontânea, saindo de um único duto de uma só mama, clara ou com sangue. O papiloma está por trás de 35% a 56% desses casos, e a ectasia ductal de 6% a 59%, mas em 5% a 33% há uma doença maligna, o que justifica investigar (Panzironi e colaboradores, 2019). Já a secreção que sai de vários dutos, nas duas mamas, costuma ser fisiológica (Panzironi e colaboradores, 2019). O texto sobre líquido saindo do mamilo mostra quais tipos preocupam, e o artigo sobre ectasia ductal explica o outro diagnóstico frequente.
Como o papiloma aparece nos exames de imagem
Na mamografia, os papilomas pequenos muitas vezes não dão nenhum sinal. Quando há achado, pode ser um ou mais dutos dilatados, uma massa bem delimitada de aspecto benigno, em geral atrás da aréola, ou um grupo de calcificações (Nicosia e colaboradores, 2026).
No ultrassom, o papiloma costuma ser uma lesão hipoecogênica, bem definida, que pode preencher o duto ou ficar parcialmente contornada por líquido, às vezes com um pedículo de vasos (Nicosia e colaboradores, 2026). O Doppler ajuda a mostrar esse pedículo (Panzironi e colaboradores, 2019). Na investigação de secreção, a sensibilidade do ultrassom variou de 63 a 100 por cento nos estudos revisados, e a da mamografia, de 7 a 26 por cento (Panzironi e colaboradores, 2019).
A ductografia injeta contraste no duto que está secretando e só pode ser feita se houver secreção no dia do exame. É invasiva, pode causar desconforto e falha em até 15% dos casos. Em revisão, a ressonância magnética teve sensibilidade superior à dela (Panzironi e colaboradores, 2019).
O resultado dos exames vem como categoria BI-RADS, tema do artigo BI-RADS: o que significa a classificação do seu exame de mama. Para o papiloma, o aspecto de imagem não basta: o diagnóstico definitivo exige biópsia guiada por ultrassom (Nicosia e colaboradores, 2026).
Por que a biópsia de agulha pode não bastar
A biópsia de agulha colhe fragmentos pequenos, e o papiloma é uma lesão heterogênea. O diagnóstico por amostra limitada pode ser difícil, e um resultado benigno pode esconder áreas com atipia ou carcinoma que a agulha não alcançou (Thai e colaboradores, 2025). Esse descompasso se chama subestimação: o resultado da biópsia é mais brando do que o da peça inteira, quando ela é analisada depois.
| Estudo | O que avaliou | Resultado |
|---|---|---|
| Wen e Cheng, 2013 | 2.236 lesões papilares não malignas na biópsia de agulha, depois operadas | 15,7% tinham malignidade na peça operada |
| Zhang e colaboradores, 2021 | 7.016 papilomas, em 44 estudos | 5,0% sem atipia e 36,0% com atipia tinham carcinoma na cirurgia |
| Keating e colaboradores, 2024 | Papilomas sem atipia com imagem e biópsia concordantes, em 13 estudos | 1,4% |
Os números diferem porque os estudos diferem. A atipia aumenta muito a chance de subestimação (Wen e Cheng, 2013; Zhang e colaboradores, 2021), e a taxa cai quando imagem e resultado da biópsia combinam entre si (Keating e colaboradores, 2024). Entre os fatores ligados à subestimação em papilomas benignos estão secreção com sangue, discordância entre imagem e resultado, nódulo palpável, tamanho de 1 cm ou mais e BI-RADS 4C ou 5 (Zhang e colaboradores, 2021). O artigo sobre biópsia benigna com imagem suspeita explica essa conferência entre imagem e laudo.
Papiloma na mama: retirar ou acompanhar?
A conduta depende do resultado da biópsia e do conjunto do caso, e é decidida pela equipe médica.
- Com atipia, ou carcinoma in situ associado: as recomendações internacionais indicam cirurgia (Nicosia e colaboradores, 2026; Wen e Cheng, 2013).
- Sem atipia: o padrão antigo era retirar a lesão inteira, mas hoje há debate. Estudos recentes apontam que papilomas benignos e concordantes, sem sintomas, podem ser acompanhados com imagem (Zhang e colaboradores, 2021; Keating e colaboradores, 2024; Thai e colaboradores, 2025). Em um estudo retrospectivo com 152 pacientes, entre os papilomas operados de imediato 97% eram benignos e 3% tinham carcinoma in situ, sem câncer invasivo, e 96% dos acompanhados não progrediram (Limberg e colaboradores, 2021).
- Quando a cirurgia pesa mais: um serviço europeu propõe operar diante de secreção, ressonância suspeita, lesão residual importante após a biópsia ou discordância marcada entre imagem e resultado (Nicosia e colaboradores, 2026).
Sobre a biópsia a vácuo, o consenso internacional de 2023 considerou a excisão a vácuo uma alternativa equivalente à cirurgia aberta apenas em lesões papilares sem atipia, com seguimento por imagem quando a lesão foi totalmente retirada (Elfgen e colaboradores, 2023). Isso não significa que a mamotomia substitui a cirurgia: é uma opção discutida em casos selecionados, e a indicação é sempre médica. No mesmo estudo europeu, lesões residuais acompanhadas sem cirurgia tiveram mais recorrência no mesmo local (Nicosia e colaboradores, 2026). Com vários papilomas, o risco é maior (Lewis e colaboradores, 2006), e o seguimento é definido caso a caso.
Na Preciore, a core biopsy e a mamotomia são biópsias guiadas por imagem, e a indicação de cada uma, conforme avaliação do mastologista, vem depois da análise do exame. O artigo sobre como funciona a mamotomia descreve o procedimento.
Quando procurar o mastologista e o que levar à consulta
Procure avaliação se houver secreção espontânea em um só mamilo, principalmente com sangue, um nódulo novo ou um laudo que recomenda biópsia. O texto sobre quando a biópsia de mama é indicada ajuda a entender o pedido, e o de BI-RADS 4 trata de uma categoria comum nesse contexto.
Leve laudos e imagens, e pergunte ao médico: qual foi o resultado, se imagem e biópsia combinam, se houve atipia, se a lesão foi retirada por completo e como será o seguimento. A consulta com mastologista é o lugar para interpretar tudo isso junto com o exame clínico.
Fontes consultadas:
- Nicosia L, Mariano L, Mallardi C e colaboradores. Intraductal papilloma of the breast: low risk, but handle with care. La Radiologia Medica, 2026. https://doi.org/10.1007/s11547-025-02120-w
- Elfgen C, Leo C, Kubik-Huch RA e colaboradores. Third International Consensus Conference on lesions of uncertain malignant potential in the breast (B3 lesions). Virchows Archiv, 2023. https://doi.org/10.1007/s00428-023-03566-x
- Lewis JT, Hartmann LC, Vierkant RA e colaboradores. An analysis of breast cancer risk in women with single, multiple, and atypical papilloma. American Journal of Surgical Pathology, 2006. https://doi.org/10.1097/00000478-200606000-00001
- Panzironi G, Pediconi F, Sardanelli F. Nipple discharge: the state of the art. BJR Open, 2019. https://doi.org/10.1259/bjro.20180016
- Wen X, Cheng W. Nonmalignant breast papillary lesions at core-needle biopsy: a meta-analysis of underestimation and influencing factors. Annals of Surgical Oncology, 2013. https://doi.org/10.1245/s10434-012-2590-1
- Zhang X, Liu W, Hai T e colaboradores. Upgrade Rate and Predictive Factors for Breast Benign Intraductal Papilloma Diagnosed at Biopsy: A Meta-Analysis. Annals of Surgical Oncology, 2021. https://doi.org/10.1245/s10434-021-10188-7
- Keating N, Cevik J, Hopkins D e colaboradores. Malignant upgrade rate and associated clinicopathologic predictors for concordant intraductal papilloma without atypia: a systematic review and meta-analysis. Journal of Surgical Oncology, 2024. https://doi.org/10.1002/jso.27592
- Limberg J, Kucher W, Fasano G e colaboradores. Intraductal Papilloma of the Breast: Prevalence of Malignancy and Natural History Under Active Surveillance. Annals of Surgical Oncology, 2021. https://doi.org/10.1245/s10434-021-09870-7
- Thai JN, Vickery J, Boyraz B e colaboradores. Papillary Neoplasms of the Breast: WHO Classification, Multimodality Imaging, and Radiologic-Pathologic Correlation. RadioGraphics, 2025. https://doi.org/10.1148/rg.240091
Perguntas frequentes
O que é papiloma na mama?
É um pequeno crescimento de tecido, com um eixo de vasos, que se forma dentro de um duto mamário. É a lesão papilar mais comum da mama e aparece com mais frequência entre 30 e 50 anos (Nicosia e colaboradores, 2026). Na maioria das vezes é benigno, mas precisa de avaliação médica.
Papiloma na mama é câncer?
Em geral não. Em uma meta-análise de 7.016 papilomas operados após a biópsia, 5,0% dos benignos e 36,0% dos com atipia tinham carcinoma na cirurgia (Zhang e colaboradores, 2021). Por isso a biópsia e a análise do conjunto são necessárias, e cada caso exige avaliação médica.
Por que o papiloma costuma ir para biópsia?
Porque a imagem não separa com segurança o papiloma simples de uma lesão com atipia ou carcinoma associado, e o diagnóstico definitivo exige biópsia guiada por ultrassom (Nicosia e colaboradores, 2026). A biópsia mostra o tipo de lesão e orienta a conduta, que pode ser acompanhamento ou cirurgia.
Papiloma na mama precisa ser operado?
Depende. Com atipia ou carcinoma in situ associado, a cirurgia é recomendada (Nicosia e colaboradores, 2026). Sem atipia, há debate: estudos recentes mostram que papilomas benignos e concordantes, sem sintomas, podem ser acompanhados com imagem (Keating e colaboradores, 2024). A decisão é da equipe médica.
Papiloma causa secreção no mamilo?
Pode causar. O papiloma está por trás de 35% a 56% dos casos de secreção patológica, que é espontânea, de um único duto e de uma só mama, clara ou com sangue (Panzironi e colaboradores, 2019). Como em parte dos casos há doença maligna, essa secreção deve ser investigada.
Ter vários papilomas aumenta o risco de câncer de mama?
Em uma coorte, o risco relativo foi de 3,01 para mais de 5 papilomas e de 2,04 para um papiloma único, comparados ao esperado na população geral, e subiu com a presença de atipia (Lewis e colaboradores, 2006). Esses números descrevem grupos, e o seguimento é definido pelo médico.
Resumo
Papiloma na mama é um crescimento dentro do duto mamário, em geral benigno, que costuma ir para biópsia porque a imagem não separa com segurança o papiloma simples de uma lesão com atipia ou carcinoma associado (Nicosia e colaboradores, 2026).
A agulha colhe pouco tecido e pode subestimar a lesão (Wen e Cheng, 2013). Com atipia, a cirurgia é recomendada, e sem atipia o acompanhamento é discutido em casos selecionados. Secreção espontânea em um só mamilo, nódulo novo ou laudo que pede biópsia merecem consulta. Cada caso exige avaliação médica.
Teste o que você aprendeu
Por que a biópsia de agulha de um papiloma pode não bastar para fechar o caso?
A agulha colhe fragmentos pequenos de uma lesão heterogênea. Se a parte com atipia ou carcinoma não for colhida, o resultado parece mais brando do que a peça inteira mostraria, o que se chama subestimação. Por isso a equipe confere imagem e resultado e decide entre cirurgia e acompanhamento. Nem todo papiloma é maligno.
Ficou com alguma dúvida sobre o seu caso?
A equipe da Preciore atende em São Luís, no Jardim Renascença, com consulta e exames no mesmo endereço.
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