Mastectomia: o que é, quais os tipos e quando é indicada
Os tipos de mastectomia, quando cada uma pode ser indicada, o que acontece com a axila, a reconstrução da mama e a recuperação, em linguagem simples e com fontes abertas.
Marcio MoreiraEstrategista de conteúdo e SEOPublicado em 01 de novembro de 2026
Mastectomia: o que é, quais os tipos e quando é indicada
Neste artigo você vai descobrir:
- O que é a mastectomia e como ela se diferencia da cirurgia conservadora
- Os tipos de mastectomia: simples, preservadora de pele, preservadora de pele e mamilo, radical modificada e redutora de risco
- Quando a cirurgia pode ser indicada e o que são a biópsia do linfonodo sentinela e o esvaziamento axilar
- Como funcionam a reconstrução da mama, o direito previsto em lei, a recuperação e a fisioterapia
Mastectomia: o que é, em resumo
Mastectomia é a cirurgia que retira a mama: todo o tecido mamário, ou boa parte dele, e, conforme o tipo, também a pele, o mamilo e a aréola. Ela é usada sobretudo no tratamento do câncer de mama e, em decisões individuais, para reduzir o risco em mulheres com risco muito elevado. Não é a única cirurgia da mama: a outra opção principal é a cirurgia conservadora, a lumpectomia, que retira o tumor e preserva a mama (NCI; ACS, 2026).
Se a palavra apareceu na sua vida, é natural querer entender antes de qualquer decisão. Este texto é informativo: não indica cirurgia, não escolhe técnica e não prevê resultado. Cada caso exige avaliação médica.
Quais são os tipos de mastectomia
O nome muda conforme o que é retirado e o que é preservado. O quadro resume os tipos, com base na American Cancer Society (ACS, 2026), na Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM, 2026) e no National Cancer Institute (NCI).
| Tipo | O que é retirado | O que fica |
|---|---|---|
| Simples ou total | A mama inteira, com pele, mamilo, aréola e a membrana que cobre o músculo peitoral maior | O músculo do peito |
| Preservadora de pele | O tecido mamário, o mamilo e a aréola | A maior parte da pele da mama |
| Preservadora de pele e mamilo (adenomastectomia) | A glândula mamária | A pele, a aréola e o mamilo |
| Radical modificada | A mama, como na mastectomia simples, mais os linfonodos da axila | O músculo do peito |
| Radical | A mama, os linfonodos da axila e os músculos do peito | Depende da técnica e do caso |
| Redutora de risco | Uma ou as duas mamas, em mulheres sem câncer e com risco muito elevado | Depende da técnica escolhida |
A mastectomia preservadora de mamilo costuma ser considerada em tumores pequenos e iniciais, sem sinal de câncer na pele ou no mamilo e longe dele, em geral a mais de 2 cm (ACS, 2026). A SBM cita, nos estudos, uma taxa global de complicações de cerca de 22% e de necrose do mamilo próxima de 6% (SBM, 2026). Por isso a técnica é escolhida caso a caso.
Quando a mastectomia é indicada
A indicação depende do tipo de câncer, do número de tumores, do tamanho do tumor, de tratamento anterior com radioterapia e de outros fatores. Para algumas pessoas a mastectomia pode ser uma opção melhor, e para outras, a única (ACS, 2026). As situações descritas pelas fontes são:
- Tumores em vários pontos da mama, os chamados múltiplos focos, quando a cirurgia conservadora não consegue retirar tudo com margem (SBM, 2026).
- Radioterapia que não pode ser feita, ou que a mama já recebeu antes (ACS, 2026).
- Cirurgia conservadora anterior que não retirou todo o câncer, mesmo depois de nova operação (ACS, 2026).
- Escolha da paciente, quando ela prefere evitar a radioterapia e opta por uma cirurgia mais extensa, depois de entender as opções (ACS, 2026).
- Tumor grande em relação ao tamanho da mama, situação em que a conservadora pode não ser viável e a equipe discute o caminho (ACS, 2026).
Um ponto que costuma aliviar: na maioria dos casos, a mastectomia não oferece melhor chance de sobrevida em longo prazo do que a cirurgia conservadora (ACS, 2026). Cirurgia maior não significa automaticamente cirurgia mais segura. Para ver onde a cirurgia se encaixa, leia as quatro frentes do tratamento do câncer de mama.
Mastectomia redutora de risco, sem câncer
Há mulheres que nunca tiveram câncer e discutem a retirada das mamas por risco muito elevado. O NCI descreve a mastectomia redutora de risco como a retirada das duas mamas, que pode ser total ou preservar mamilo e aréola. Ela entra na conversa de quem carrega alterações em genes como BRCA1, BRCA2, TP53 ou PTEN. Em mulheres com mutação em BRCA1 ou BRCA2, os estudos citados pelo NCI mostram redução de pelo menos 95% no risco de câncer de mama (NCI, 2025). O risco diminui, mas não deixa de existir.
É uma decisão pessoal e de peso, e o NCI recomenda conversar com geneticista, cirurgião de mama e especialista em reconstrução antes de decidir. Para entender quem deve fazer o teste e o que o resultado muda, leia BRCA1 e BRCA2: quem deve fazer o teste. Em quem já teve câncer, retirar também a outra mama nem sempre é recomendado, e depende do risco de cada mulher (NCI, 2025).
Linfonodos da axila: sentinela e esvaziamento axilar
A cirurgia da mama costuma incluir a avaliação dos linfonodos da axila, e há duas abordagens (ACS, 2026):
- Biópsia do linfonodo sentinela: o cirurgião injeta um corante e retira apenas o linfonodo, ou poucos linfonodos, que captam esse corante. Retirar poucos linfonodos reduz o risco de linfedema, o inchaço do braço. Pode ser feita durante a lumpectomia ou a mastectomia, e às vezes em cirurgia separada (NCI).
- Esvaziamento axilar: retirada de muitos linfonodos da axila. É a parte que, somada à mastectomia simples, forma a mastectomia radical modificada.
A diretriz da ASCO, de 2016 e reafirmada em 2017, recomenda que mulheres sem metástase no linfonodo sentinela não passem por esvaziamento axilar. Já quando há metástase no sentinela e a mulher fará mastectomia, o esvaziamento deve ser oferecido (Lyman e colaboradores, 2017). A pesquisa nessa área segue evoluindo, e a conduta é individual.
Reconstrução da mama: imediata, tardia e direito por lei
A mulher pode ter a escolha entre reconstrução imediata, no mesmo tempo da cirurgia do câncer, ou tardia, em outro momento (ACS, 2026). O INCA recomenda que a reconstrução seja sempre discutida com a equipe multidisciplinar nas mulheres que passam pela retirada da mama (INCA, 2017). O que cada caso permite depende de fatores clínicos e dos tratamentos seguintes, como a radioterapia.
No Brasil, a Lei 9.797/1999 prevê o direito à cirurgia plástica reconstrutiva da mama, que o SUS deve oferecer pela rede pública ou conveniada. Quando existirem condições técnicas, a reconstrução é feita no mesmo tempo cirúrgico. Se a reconstrução imediata não for possível, a paciente é encaminhada para acompanhamento e terá a cirurgia realizada assim que alcançar as condições clínicas necessárias (Lei 9.797/1999, art. 2º, com a redação da Lei 12.802/2013). Prazos e outros direitos estão em direitos da paciente com câncer de mama: benefícios e prazos legais.
Recuperação e fisioterapia depois da mastectomia
A ACS informa que muitas pessoas voltam à maior parte das atividades do dia a dia em cerca de 4 semanas. Nos primeiros dias podem existir pequenos drenos, que recolhem líquido da região operada, e a equipe orienta os cuidados antes da alta. Entre os efeitos descritos estão dor, inchaço, limitação de movimento do ombro e do braço, dormência no peito ou na parte de cima do braço e, quando há retirada de linfonodos, linfedema (ACS, 2026).
A fisioterapia ajuda a recuperar o movimento do ombro e do braço, com exercícios graduais. A Lei 9.797/1999, no texto consolidado, prevê o tratamento fisioterapêutico quando indicado pelo médico assistente. O INCA recomenda que a mulher com câncer de mama seja acompanhada por equipe multidisciplinar que inclua fisioterapeuta, nutricionista, psicólogo e enfermeiro (INCA, 2017). Na Preciore existe a fisioterapia pós-cirurgia, definida individualmente com a fisioterapeuta.
A decisão é compartilhada: por onde começar
Não existe uma mastectomia "padrão" nem uma resposta única. A escolha entre conservar a mama ou retirá-la, o tipo de mastectomia, o que fazer na axila e a reconstrução se combinam com o tipo de tumor, o resultado da biópsia, os tratamentos seguintes e os valores de cada mulher.
O ponto de partida é a consulta com a mastologista, a especialista que avalia a mama e a necessidade de cirurgia. A Preciore realiza a consulta de mastologia e conta com enfermagem navegadora, que acompanha o caminho entre consultas, exames e procedimentos. Este texto não informa onde cada cirurgia é feita nem indica técnica. Para entender quando procurar cada especialista, leia mastologia ou oncologia: qual a diferença.
Fontes consultadas:
- Mastectomy for Breast Cancer, American Cancer Society, revisão de 01/07/2026. https://www.cancer.org/cancer/types/breast-cancer/treatment/surgery-for-breast-cancer/mastectomy.html
- Surgery for Breast Cancer, American Cancer Society, revisão de 01/07/2026. https://www.cancer.org/cancer/types/breast-cancer/treatment/surgery-for-breast-cancer.html
- Breast Cancer Surgery, National Cancer Institute, página consultada em outubro de 2026. https://www.cancer.gov/types/breast/treatment/surgery
- Risk-Reducing Surgery, National Cancer Institute, atualizado em 02/12/2025. https://www.cancer.gov/types/breast/risk-reducing-surgery-fact-sheet
- Adenomastectomia: o que é e quando ela é indicada, Sociedade Brasileira de Mastologia, 22/06/2026. https://sbmastologia.com.br/para-a-populacao/adenomastectomia-o-que-e-e-quando-ela-e-indicada/
- Recomendações do INCA para reduzir a mortalidade por câncer de mama no Brasil, INCA, Ministério da Saúde, 2017. https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files/media/document/recomendacoes-cancer-de-mama-inca-2017_0.pdf
- Lyman GH e colaboradores. Sentinel Lymph Node Biopsy for Patients With Early-Stage Breast Cancer: ASCO Clinical Practice Guideline Update. Journal of Clinical Oncology, 2017. DOI 10.1200/JCO.2016.71.0947. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27937089/
- Lei nº 9.797, de 6 de maio de 1999, texto consolidado, Presidência da República. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9797.htm
- Lei nº 12.802, de 24 de abril de 2013, Presidência da República. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/lei/l12802.htm
Perguntas frequentes
Mastectomia o que é e como é feita a cirurgia?
É a cirurgia que retira a mama, toda ou quase toda, e, conforme o tipo, também a pele, o mamilo e a aréola. Quando a técnica é preservadora, parte desses elementos fica no lugar (ACS, 2026; SBM, 2026). A técnica é escolhida pela equipe, caso a caso.
Quais são os tipos de mastectomia?
Os principais são a simples ou total, a preservadora de pele, a preservadora de pele e mamilo (adenomastectomia), a radical modificada, que inclui os linfonodos da axila, a radical e a redutora de risco, feita em mulheres sem câncer (ACS, 2026; SBM, 2026; NCI, 2025).
Toda mulher com câncer de mama precisa tirar a mama?
Não. A cirurgia conservadora, que retira o tumor e preserva a mama, é uma das duas opções principais, e na maioria dos casos a mastectomia não oferece melhor chance de sobrevida em longo prazo (ACS, 2026). A indicação depende do tumor e de outros fatores, avaliados pela equipe.
Depois da mastectomia dá para reconstruir a mama?
Em muitos casos há essa possibilidade, imediata, no mesmo tempo da cirurgia, ou tardia (ACS, 2026). A lei brasileira prevê o direito à cirurgia reconstrutiva e determina que ela seja feita no mesmo tempo cirúrgico quando houver condições técnicas (Lei 9.797/1999). A mastologista discute o que é possível em cada caso.
Quanto tempo leva a recuperação depois da mastectomia?
Varia de mulher para mulher. A American Cancer Society informa que muitas pessoas voltam à maior parte das atividades do dia a dia em cerca de 4 semanas (ACS, 2026). O ritmo depende do tipo de cirurgia, da reconstrução e dos tratamentos seguintes, e a equipe orienta o retorno gradual.
Mastectomia sempre retira os linfonodos da axila?
Não necessariamente. Muitas vezes se faz a biópsia do linfonodo sentinela, em que são retirados só um ou poucos linfonodos. O esvaziamento axilar, que retira muitos linfonodos, é reservado a situações específicas e decidido pela equipe (ACS, 2026; Lyman e colaboradores, 2017).
A Preciore faz consulta para avaliar a indicação de mastectomia?
A Preciore realiza a consulta com mastologista, em que o caso é avaliado, e conta com enfermagem navegadora e fisioterapia pós-cirurgia. Este texto não informa onde cada cirurgia é feita: em caso de dúvida, a recepção orienta sobre o atendimento da clínica.
Resumo
Mastectomia é a cirurgia que retira a mama, e existem tipos diferentes: simples, preservadora de pele, preservadora de pele e mamilo, radical modificada e redutora de risco. A indicação depende do tumor, da axila, da necessidade de radioterapia e da escolha da paciente, e a reconstrução e a fisioterapia fazem parte da conversa desde o início.
Na maioria dos casos, a mastectomia não oferece melhor chance de sobrevida do que a cirurgia conservadora, e a decisão é compartilhada com a equipe. Este texto é informativo e não indica cirurgia: cada caso exige avaliação médica.
Teste o que você aprendeu
Qual alternativa descreve a mastectomia preservadora de pele e mamilo (adenomastectomia)?
Segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia, a adenomastectomia retira a glândula mamária e preserva a pele, a aréola e o mamilo. A primeira opção descreve a cirurgia conservadora, e a segunda, a mastectomia radical. Ela é considerada em casos selecionados, e a equipe decide a técnica.
Ficou com alguma dúvida sobre o seu caso?
A equipe da Preciore atende em São Luís, no Jardim Renascença, com consulta e exames no mesmo endereço.
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