Saúde da mama
Calcificações e microcalcificações na mamografia
Calcificações são depósitos minúsculos de cálcio no tecido da mama, comuns e quase sempre benignos. Só a mamografia as enxerga. O que define a conduta não é a presença delas, é o formato, o tamanho e a forma como estão distribuídas.
De onde vêm
Calcificações se formam por processos comuns do tecido mamário ao longo da vida: secreção que ressecou dentro de um ducto, área de inflamação antiga que cicatrizou, gordura lesada por um trauma que se calcificou, parede de vaso sanguíneo que acumulou cálcio com a idade.
Elas não têm relação com a quantidade de cálcio da sua alimentação, nem com suplemento de cálcio, nem com leite. Essa é uma das confusões mais frequentes sobre o tema, e vale desfazer de saída: cortar laticínio não previne nem elimina calcificação nenhuma.
Macro e micro: a divisão que organiza tudo
As macrocalcificações são grosseiras, maiores, com aspecto grosseiro e bem visível. São achado benigno, muito comuns depois dos 50 anos, e costumam nem exigir comentário além do registro no laudo.
As microcalcificações são minúsculas, medindo frações de milímetro, e é sobre elas que recai a atenção. Mesmo assim, a maioria também é benigna. O que muda a leitura é o desenho: como elas são, todas iguais ou de formatos variados, e como se distribuem, espalhadas ou agrupadas num ponto.
O que o radiologista analisa
- Formato: redondas e uniformes puxam para benigno; pleomórficas, ou seja, de formatos e tamanhos variados, aumentam a suspeita.
- Distribuição: espalhadas pelas duas mamas é padrão benigno; agrupadas num ponto pequeno chama atenção.
- Trajeto: calcificações que seguem o desenho de um ducto, de forma linear ou ramificada, são o padrão que mais eleva a categoria.
- Comparação: calcificações estáveis há anos são muito mais tranquilizadoras que um agrupamento novo.
- Contexto: presença de nódulo, distorção ou assimetria na mesma região muda a leitura do conjunto.
Quando a biópsia entra
Quando o agrupamento de microcalcificações recebe categoria BI-RADS 4 ou 5, a conduta é biópsia. E aqui há uma particularidade importante: como as calcificações costumam não aparecer na ultrassonografia, a biópsia precisa ser guiada pela própria mamografia. Esse procedimento se chama estereotaxia.
Na estereotaxia, o aparelho calcula a posição exata do agrupamento a partir de imagens em ângulos diferentes, e a agulha é direcionada para esse ponto, com anestesia local. Quando é necessário retirar amostra maior, usa-se a mamotomia, que trabalha a vácuo e permite coletar mais material pela mesma punção.
Depois da coleta, é comum posicionar um pequeno clipe metálico no local. Ele serve para marcar o ponto exato caso uma cirurgia venha a ser necessária, já que as calcificações podem ter sido totalmente removidas na biópsia e não haveria como localizar a área depois.
Por que esse achado importa tanto
Existe uma razão para as microcalcificações receberem tanta atenção apesar de a maioria ser benigna: elas podem ser o primeiro e único sinal de uma alteração em fase muito inicial, antes de existir qualquer nódulo, antes de haver o que apalpar e anos antes de qualquer sintoma.
É por isso que a mamografia mantém um papel que nenhum outro exame ocupa no rastreamento. Nem ultrassonografia nem exame físico encontram esse tipo de achado. Quando o diagnóstico acontece nessa fase, ele costuma corresponder a lesões muito pequenas, com o maior leque de opções de tratamento disponível.
Perguntas frequentes
Calcificação na mama é câncer?
Na maioria das vezes, não. Calcificações são muito comuns e quase sempre benignas. O que define a conduta é o formato, o tamanho e a distribuição, traduzidos na categoria BI-RADS do laudo.
Tomar cálcio causa calcificação na mama?
Não. Calcificações mamárias não têm relação com cálcio da dieta, suplemento ou consumo de leite. Elas resultam de processos locais do tecido, como secreção ressecada em ducto ou cicatrização de inflamação antiga.
O ultrassom mostra calcificação?
Em geral não, sobretudo as microcalcificações. Esse é um dos motivos pelos quais o ultrassom não substitui a mamografia no rastreamento, e por que a biópsia de calcificações é guiada pela mamografia.
O que são microcalcificações agrupadas?
São calcificações minúsculas concentradas num ponto pequeno da mama, em vez de espalhadas. Esse padrão recebe mais atenção que a distribuição difusa, e a categoria do laudo depende também do formato delas.
Preciso repetir o exame ou já fazer biópsia?
Depende da categoria. Categoria 2 segue rotina, categoria 3 costuma levar a controle em 6 meses com incidências ampliadas, e categorias 4 e 5 indicam biópsia, que nesse caso é guiada pela mamografia.
O que é o clipe colocado depois da biópsia?
Um pequeno marcador metálico posicionado no local da coleta. Ele serve para localizar o ponto exato caso uma cirurgia seja necessária, já que as calcificações podem ter sido removidas na própria biópsia.
Calcificações somem com o tempo?
Em geral não desaparecem, e não é isso que se espera delas. O que interessa no acompanhamento é a estabilidade: calcificações iguais ao longo dos anos são muito mais tranquilizadoras que um agrupamento novo.
Fiz biópsia de calcificação e deu benigno. Preciso continuar acompanhando?
Sim, e o acompanhamento segue o que o resultado mostrou. Alguns achados benignos voltam direto ao rastreamento de rotina, e outros, chamados de lesões de risco, pedem seguimento mais próximo. O laudo da patologia é que define, e essa leitura se faz em consulta.
Fontes
- Colégio Brasileiro de Radiologia. Mantém no Brasil a padronização dos laudos de mama e os critérios de qualidade dos exames.
- Instituto Nacional de Câncer. Publica as diretrizes brasileiras de detecção precoce do câncer de mama.
