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Saúde da mama

Câncer de mama em homens: existe, e como se apresenta

Homens têm tecido mamário e podem ter câncer de mama. É raro, respondendo por cerca de 1% dos casos, e costuma ser diagnosticado mais tarde, porque quase ninguém, paciente ou profissional, pensa nessa possibilidade diante de um caroço no peito masculino.

Por que é possível

A mama masculina tem a mesma origem embrionária da feminina. O que difere é o desenvolvimento: sem o estímulo hormonal da puberdade feminina, o tecido glandular permanece rudimentar, com ductos presentes e pouca formação de lóbulos.

Esse tecido, ainda que pequeno, está lá, e é nele que o câncer pode se originar. Por isso os tipos mais frequentes no homem são os carcinomas de origem ductal, enquanto os de origem lobular, mais dependentes do desenvolvimento glandular completo, são muito menos comuns.

Como se apresenta

Como a mama masculina tem pouco volume, um nódulo pequeno se torna palpável mais cedo do que seria numa mama feminina, e também alcança a pele e o mamilo com menos crescimento. Isso explica por que sinais de retração aparecem com relativa frequência no diagnóstico.

O que aumenta o risco

O fator mais relevante é a mutação em BRCA2, com BRCA1 também associado em menor grau. Homens com essas mutações têm risco aumentado não só de câncer de mama, mas também de próstata e de pâncreas, e essa informação tem consequência prática para a família inteira.

Entram também na lista a síndrome de Klinefelter, o histórico familiar de câncer de mama, a radioterapia prévia no tórax, doenças hepáticas crônicas, obesidade e condições que elevam o estrogênio. Ginecomastia por si só não é considerada fator de risco estabelecido.

O atraso no diagnóstico é o problema central

Não há rastreamento populacional para homens, e faz sentido que não haja: a raridade da doença tornaria o rastreamento em massa inviável e prejudicial. O que existe, e é a estratégia possível, é a avaliação de qualquer caroço na região da mama masculina, do mesmo jeito que se avaliaria em qualquer outra parte do corpo.

O atraso acontece por uma soma de fatores: o desconhecimento de que a doença existe em homens, o constrangimento de procurar atendimento por uma queixa culturalmente associada ao corpo feminino, e a tendência de atribuir qualquer crescimento a ginecomastia sem investigar. Diagnóstico tardio significa doença mais avançada, e é por isso que informar sobre essa possibilidade tem valor concreto.

Investigação e tratamento

A investigação segue a mesma lógica: exame clínico, mamografia, que é perfeitamente factível na mama masculina, ultrassonografia e biópsia por agulha grossa quando indicada. O material da biópsia define o tipo do tumor e as características que orientam o tratamento.

O tratamento também segue princípios semelhantes, combinando cirurgia, tratamento sistêmico e radioterapia conforme o caso. Uma característica frequente é a alta proporção de tumores com receptores hormonais positivos, o que costuma tornar o tratamento hormonal parte relevante da conduta.

Homens com diagnóstico de câncer de mama têm indicação de avaliação genética, e essa é uma das informações mais úteis que o caso produz, porque orienta o rastreamento de filhos, irmãos e irmãs.

Perguntas frequentes

Homem pode ter câncer de mama?

Pode. É raro, respondendo por cerca de 1% dos casos, mas existe, porque o homem tem tecido mamário. O maior problema não é a frequência, é o atraso no diagnóstico.

Como diferenciar de ginecomastia?

A ginecomastia costuma ser um disco firme, central sob a aréola, muitas vezes nos dois lados e sensível ao toque. O que preocupa é o nódulo de um lado só, endurecido, fixo, fora da região central, com retração ou secreção.

Existe rastreamento para homens?

Não há rastreamento populacional, e faz sentido que não haja, dada a raridade. A estratégia possível é avaliar qualquer caroço na região da mama masculina, sem adiar.

Homem faz mamografia?

Faz, quando indicada. A mamografia é perfeitamente factível na mama masculina e integra a investigação, ao lado do exame clínico, da ultrassonografia e da biópsia quando necessária.

O que mais aumenta o risco?

Mutação em BRCA2 é o fator mais relevante, seguida de BRCA1. Entram também síndrome de Klinefelter, histórico familiar, radioterapia prévia no tórax e condições que elevam o estrogênio.

Meu pai teve câncer de mama. Isso muda algo para mim?

Muda, e é motivo para avaliação genética na família. Caso de câncer de mama em homem é um dos critérios que mais fortemente indicam investigação de mutação hereditária, com consequência para filhos, irmãos e irmãs.

O tratamento é diferente?

Segue princípios semelhantes, com cirurgia, tratamento sistêmico e radioterapia conforme o caso. Uma particularidade é a alta proporção de tumores com receptores hormonais positivos, o que costuma tornar o tratamento hormonal parte importante da conduta.

Fontes