Clínica Preciore, Mastologia e Diagnóstico por Imagem em São Luís
Agendar

Saúde da mama

Mastite granulomatosa: a que não é da amamentação

A mastite granulomatosa é uma inflamação crônica da mama que não é causada por infecção comum e não tem relação com amamentação em curso. Ela imita tanto um abscesso quanto um tumor, e por isso o diagnóstico exige biópsia. É benigna, mas costuma ser trabalhosa de tratar.

Por que ela confunde tanto

O quadro típico é uma massa endurecida e dolorosa numa mama, com vermelhidão da pele, às vezes com orifícios que drenam secreção. Essa apresentação é praticamente a mesma de um abscesso bacteriano, e não raro a paciente recebe vários ciclos de antibiótico antes de alguém suspeitar de outra coisa.

Ao mesmo tempo, a massa endurecida com retração da pele pode ter aspecto muito parecido com o de um tumor na imagem, e é comum que o laudo receba categoria BI-RADS 4. Ou seja, a mastite granulomatosa é um diagnóstico que se parece com dois outros ao mesmo tempo, e é justamente essa ambiguidade que torna a biópsia obrigatória.

Quem costuma ter

O perfil mais frequente é de mulheres em idade reprodutiva, em geral entre os 20 e os 40 anos, com história de gestação nos últimos anos, e muitas vezes com amamentação encerrada há algum tempo. Não é preciso estar amamentando no momento.

A causa exata não é conhecida. As hipóteses mais aceitas envolvem uma resposta inflamatória do organismo ao extravasamento de secreção dos ductos para o tecido ao redor. Alguns estudos associam o quadro a determinadas bactérias de crescimento lento, e há também associação relatada com elevação de prolactina e com uso de certos medicamentos.

Como se chega ao diagnóstico

O tratamento, e por que ele exige paciência

Não há um protocolo único, e essa é a parte frustrante para quem passa pelo quadro. As abordagens vão desde a observação em casos leves, já que parte dos casos regride sozinha ao longo de meses, até corticoide, antibióticos específicos por períodos prolongados e imunossupressores em casos refratários.

A cirurgia ampla deixou de ser o primeiro caminho, porque a doença tende a recorrer e a cirurgia extensa deixa sequela estética importante sem garantir resolução. Drenagem de coleções por punção guiada por ultrassonografia é usada quando há pus acumulado.

O que se deve esperar, e é melhor saber desde o início: o tratamento costuma levar meses, pode haver recorrência, e ajustes de conduta ao longo do caminho são a regra, não a exceção. Saber disso antes evita a sensação de que nada está funcionando.

O que importa saber

Ela é benigna. Apesar de todo o incômodo, da duração e da semelhança com quadros graves, a mastite granulomatosa não é câncer e não evolui para câncer.

Ao mesmo tempo, ela não deve ser tratada às cegas. Quadro inflamatório da mama que não melhora com tratamento convencional em poucos dias precisa de reavaliação com imagem e, quase sempre, de biópsia. Isso protege de dois erros opostos: manter alguém em ciclos infinitos de antibiótico para uma doença que não é bacteriana comum, e deixar passar um diagnóstico diferente que se apresentava do mesmo jeito.

Perguntas frequentes

Mastite granulomatosa é câncer?

Não. É uma inflamação crônica benigna. O que acontece é que ela pode se parecer com um tumor na imagem e no exame físico, e por isso o diagnóstico exige biópsia para diferenciar.

Preciso estar amamentando para ter?

Não. Ela ocorre tipicamente em mulheres em idade reprodutiva com gestação nos últimos anos, muitas vezes com a amamentação já encerrada há algum tempo. É diferente da mastite comum da amamentação.

Por que o antibiótico não resolveu?

Porque a causa não é uma infecção bacteriana comum. É frequente a paciente passar por vários ciclos de antibiótico antes do diagnóstico correto, e é justamente essa falta de resposta que costuma levar à investigação.

Quanto tempo dura o tratamento?

Costuma levar meses, e recorrência é possível. Ajustes de conduta ao longo do caminho são a regra. Saber disso desde o início ajuda a não interpretar a demora como falha do tratamento.

Vou precisar de cirurgia?

A cirurgia ampla deixou de ser o primeiro caminho, porque a doença tende a recorrer e a sequela estética é importante. Drenagem de coleções por punção é usada quando há pus acumulado, e isso é diferente de cirurgia extensa.

Pode voltar depois de tratada?

Pode, e a recorrência é conhecida nessa condição. Por isso o acompanhamento continua depois da melhora, e qualquer novo endurecimento na mesma região é reavaliado.

Como diferenciar de abscesso comum?

Principalmente pela resposta ao tratamento e pela evolução. O abscesso bacteriano melhora com drenagem e antibiótico em dias. O que não responde, se arrasta e recorre exige biópsia, que mostra a inflamação granulomatosa característica.

Fontes