Saúde da mama
Mastite: sintomas, causa e tratamento
Mastite é a inflamação do tecido da mama. Dá dor, vermelhidão, calor e endurecimento numa área da mama, quase sempre de um lado só, e costuma vir com febre e sensação de gripe. A forma mais comum aparece na amamentação, e o tratamento passa por esvaziar a mama, não por parar de amamentar.
Como a mastite se manifesta
O quadro costuma ser rápido: em algumas horas uma parte da mama fica endurecida, vermelha e quente, doendo ao toque e mesmo em repouso. Junto vem febre, muitas vezes acima de 38 graus, calafrio e um mal-estar que a maioria das mulheres descreve como gripe forte. Quase sempre é uma mama só, e uma região dela, não a mama inteira.
A combinação de sinal local e sinal sistêmico é o que diferencia a mastite de um simples ingurgitamento. No ingurgitamento, as duas mamas ficam cheias e doloridas e não há febre. Na mastite, há uma área delimitada, inflamada, e o corpo inteiro responde.
Por que acontece
Na mastite da amamentação, a sequência costuma ser esta: o leite deixa de ser drenado bem de uma parte da mama, seja por pega inadequada, mamada pulada, intervalo longo, sutiã apertado ou pressão sobre a mama ao dormir. O leite parado distende o ducto, o conteúdo extravasa para o tecido ao redor e provoca inflamação. Sobre esse tecido inflamado, bactérias que já vivem na pele e na boca do bebê, principalmente o Staphylococcus aureus, encontram condição para se multiplicar, geralmente entrando por uma fissura no mamilo.
Existe também a mastite fora do período de amamentação, menos comum e com outras causas, entre elas a mastite periductal, associada ao tabagismo, e a mastite granulomatosa, que tem investigação e tratamento próprios.
O tratamento, e o erro mais comum
O erro mais frequente é interromper a amamentação daquele lado, justamente o oposto do que o quadro pede. A mastite se instala porque o leite parou; parar de vez piora a estase e aumenta o risco de abscesso. O leite da mama com mastite não faz mal ao bebê.
O tratamento combina esvaziamento frequente da mama, pela mamada ou por ordenha quando o bebê não sugar o suficiente, analgésico e anti-inflamatório para dor e febre, compressa e repouso. Quando há sinais de infecção bacteriana estabelecida, entra antibiótico, com escolha e duração definidas em consulta. A melhora costuma começar em 24 a 48 horas.
Quando procurar atendimento sem esperar
A suspeita de abscesso é avaliada com ultrassonografia, que confirma se há coleção de pus e orienta a drenagem, quando necessária. Na Preciore, a ultrassonografia é feita na própria clínica, com laudo na hora.
- Febre que não cede em 24 a 48 horas de tratamento.
- Área que fica mais endurecida, com aspecto de bolsa e dor crescente, o que sugere abscesso.
- Saída de secreção purulenta pelo mamilo.
- Piora do estado geral, prostração ou vômito.
- Mastite fora do período de amamentação.
- Mastite que volta várias vezes no mesmo lugar.
O que ajuda a não repetir
Nenhuma dessas medidas garante que a mastite não volte, mas a maioria dos casos de repetição tem uma causa mecânica identificável, e resolver essa causa costuma resolver o ciclo. Apoio em amamentação faz diferença concreta aqui.
- Corrigir a pega do bebê, que é a causa mais comum de drenagem incompleta e de fissura no mamilo.
- Não pular mamadas nem alongar demais os intervalos, sobretudo à noite.
- Ordenhar quando a mama ficar cheia e o bebê não mamar o suficiente.
- Trocar a posição de amamentar ao longo do dia, para que regiões diferentes da mama sejam drenadas.
- Evitar sutiã apertado, com aro rígido, e evitar dormir pressionando a mama.
- Tratar fissura no mamilo assim que aparecer, em vez de esperar passar sozinha.
A mastite que não é mastite
Existe uma forma de câncer de mama, o carcinoma inflamatório, que se apresenta com vermelhidão, calor e edema da mama e pode ser confundida com mastite no primeiro olhar. É raro, mas é a razão pela qual toda mastite que não melhora com tratamento adequado precisa ser reavaliada, e não apenas tratada de novo com outro antibiótico.
Por isso a regra prática: mastite que não responde em poucos dias, mastite fora da amamentação e mastite que reincide no mesmo local pedem avaliação com mastologista e exame de imagem. Não é alarme, é método.
Perguntas frequentes
Posso continuar amamentando com mastite?
Pode e deve, salvo orientação médica específica em contrário. Esvaziar a mama é parte do tratamento, e o leite da mama com mastite não faz mal ao bebê. Parar de amamentar daquele lado tende a piorar o quadro.
Mastite precisa sempre de antibiótico?
Não. Quadros iniciais podem resolver com esvaziamento frequente, analgesia e medidas locais. O antibiótico entra quando há sinal de infecção bacteriana estabelecida ou quando não há melhora em 24 a 48 horas, e a escolha se faz em consulta.
Quanto tempo dura?
Com tratamento adequado, a melhora costuma começar em 24 a 48 horas e o quadro se resolve em poucos dias. A ausência de melhora nesse prazo é sinal de reavaliação, não de mais tempo de espera.
Tenho mastite e não estou amamentando. É possível?
É possível, e merece investigação. Mastite fora do período de amamentação tem outras causas, como a mastite periductal e a granulomatosa, e precisa de avaliação com mastologista e exame de imagem para definir do que se trata.
Fontes
- Ministério da Saúde. Orienta a manutenção da amamentação durante a mastite e o esvaziamento frequente da mama como base do manejo.
- Sociedade Brasileira de Mastologia. Reúne as recomendações sobre doenças benignas da mama, entre elas os quadros inflamatórios.
