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Saúde da mama

Câncer de mama hereditário: BRCA e histórico de família

A maior parte dos casos de câncer de mama não é hereditária. Estima-se que cerca de cinco a dez por cento estejam ligados a mutações herdadas, as mais conhecidas nos genes BRCA1 e BRCA2. Saber em qual grupo você está muda a idade em que o rastreamento começa e quais exames entram nele.

Ter caso na família não é o mesmo que ser hereditário

Essa distinção resolve boa parte da angústia sobre o tema. Como o câncer de mama é o tipo mais incidente entre as mulheres no Brasil, excluídos os de pele não melanoma, é estatisticamente comum que famílias tenham um caso ou outro sem que exista mutação hereditária envolvida. Uma tia diagnosticada aos 68 anos, isolada na família, é muito mais provavelmente um caso esporádico.

O que caracteriza o padrão hereditário não é a existência de casos, é o desenho deles: idade precoce, repetição do mesmo lado da família, associação com outros tumores e acúmulo ao longo das gerações. É esse desenho que a consulta de aconselhamento procura.

O que levanta a suspeita

O que o teste responde, e o que ele não responde

Um resultado positivo indica risco aumentado ao longo da vida, não diagnóstico e não certeza. A consequência prática é sobre estratégia: rastreamento começando mais cedo, em intervalos menores, com inclusão de ressonância magnética, além da discussão sobre quimioprevenção e sobre cirurgias redutoras de risco em situações selecionadas.

Um resultado negativo é mais sutil do que parece. Se a família tem uma mutação conhecida e você testou negativo para ela, o resultado é informativo e tranquilizador. Se ninguém na família foi testado e o seu resultado veio negativo, ele significa apenas que não foi encontrada nenhuma das mutações pesquisadas: o padrão familiar continua valendo e pode haver mutação em gene ainda não conhecido.

Existe ainda o resultado de significado incerto, que identifica uma variante sobre a qual ainda não se sabe se tem efeito. Ele não muda a conduta e costuma ser reclassificado com o tempo, à medida que mais dados se acumulam. Saber que essa possibilidade existe antes de testar evita muita angústia depois.

Por que testar sem aconselhamento é má ideia

Testes genéticos ficaram acessíveis, inclusive em plataformas que vendem direto ao consumidor, e isso criou um problema novo: pessoas recebendo resultados de alto impacto sem ninguém para interpretá-los.

A consulta de aconselhamento existe justamente para o que vem antes e o que vem depois do exame. Antes, ela monta o heredograma da família, verifica se há indicação de teste e qual teste faz sentido, e explica o que cada resultado possível vai significar. Depois, traduz o resultado em conduta e orienta a abordagem dos parentes, que costuma ser a parte mais difícil de todo o processo.

Na Preciore, essa avaliação é feita por médica geneticista em trabalho conjunto com as mastologistas da casa, e quando a conclusão indica rastreamento diferenciado, ele é realizado no mesmo endereço.

Quando testar não é o caminho

Fora dos critérios, o teste costuma gerar mais dúvida do que informação. Uma pessoa sem histórico familiar que testa por curiosidade tem alta chance de receber um resultado negativo que não altera nada, ou uma variante de significado incerto que vai gerar anos de preocupação sobre algo que provavelmente não tem efeito.

Isso não significa que quem não tem indicação está desprotegida. Significa que a estratégia dela é outra: rastreamento adequado à idade, avaliação de qualquer alteração sem adiar e acompanhamento com quem conhece o seu histórico. Que é, aliás, a estratégia que vale para a grande maioria das pessoas.

Perguntas frequentes

Minha mãe teve câncer de mama. Eu vou ter?

Não. Ter um caso na família aumenta o risco, mas está longe de significar que você terá. A maior parte dos casos não é hereditária, e o que caracteriza o padrão hereditário é o desenho dos casos, não a simples existência deles.

Devo fazer o teste BRCA?

Só faz sentido dentro dos critérios de indicação, que consideram idades de diagnóstico, número de casos, lado da família e associação com outros tumores. A consulta de aconselhamento existe para avaliar isso antes de qualquer exame.

Se o teste der positivo, vou ter câncer?

Não. Significa risco aumentado ao longo da vida, não diagnóstico nem certeza. O que muda é a estratégia de acompanhamento, que passa a ser mais precoce e mais frequente, com opções discutidas caso a caso.

Teste negativo me deixa livre?

Depende. Se a família tem mutação conhecida e você testou negativo para ela, o resultado é tranquilizador. Se ninguém foi testado antes, significa apenas que não foi encontrada nenhuma das mutações pesquisadas, e o padrão familiar continua valendo.

O que é variante de significado incerto?

Uma alteração encontrada sobre a qual ainda não se sabe se tem efeito. Ela não muda a conduta e costuma ser reclassificada com o tempo. Saber que esse resultado é possível antes de testar evita muita angústia depois.

Posso fazer teste comprado pela internet?

Não é recomendado. O problema não é o exame, é receber um resultado de alto impacto sem quem o interprete e sem a avaliação prévia que define se ele fazia sentido para o seu caso.

Homem também precisa se preocupar com BRCA?

Sim. Mutações em BRCA2 aumentam o risco de câncer de mama masculino, e também de próstata e de pâncreas. Homens com diagnóstico de câncer de mama têm indicação de avaliação genética, o que orienta toda a família.

Fontes