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Saúde da mama

Ginecomastia: por que o mastologista é quem avalia

Ginecomastia é o crescimento do tecido mamário no homem. É benigna e comum, sobretudo na adolescência e depois dos 50 anos. O mastologista é o especialista que avalia porque a mama masculina é mama, e porque parte dos casos tem causa identificável e tratável.

Tecido mamário, não gordura

A distinção mais importante da consulta é entre ginecomastia verdadeira e lipomastia, que é o acúmulo de gordura na região sem crescimento glandular. Elas parecem iguais de fora e exigem condutas diferentes.

Ao exame físico, a ginecomastia se apresenta como um tecido firme, em forma de disco, concentrado logo abaixo da aréola, e costuma ser sensível ou dolorida ao toque. A lipomastia é macia, difusa, sem esse núcleo firme central, e indolor. A ultrassonografia confirma a distinção quando a dúvida persiste.

Por que acontece

A causa comum a quase todos os casos é um desequilíbrio entre estrogênio e testosterona, com predomínio relativo do estrogênio. Isso pode acontecer por várias vias, e identificar qual delas está em jogo é o objetivo da investigação.

Há três fases da vida em que a ginecomastia é fisiológica, ou seja, esperada: no recém-nascido, por hormônios maternos, e regride em semanas; na puberdade, atingindo boa parte dos adolescentes e regredindo em um a dois anos na maioria; e a partir dos 50 a 60 anos, pela queda natural da testosterona somada ao aumento da gordura corporal, que converte testosterona em estrogênio.

As causas que a investigação procura

Por isso a consulta pede a lista completa de medicamentos e suplementos em uso, inclusive o que parece irrelevante. É comum a causa estar exatamente nessa lista.

Quando a investigação é mais urgente

Existe um cenário que muda a prioridade: crescimento de um lado só, endurecido, fixo, fora da região central da aréola, acompanhado de retração da pele ou do mamilo, ou de saída de secreção, sobretudo sanguinolenta. Esse conjunto descreve o que se investiga como câncer de mama masculino.

O câncer de mama em homens é raro, respondendo por cerca de 1% dos casos, mas existe, e costuma ser diagnosticado mais tarde justamente porque nem o paciente nem o profissional pensam nessa possibilidade. A avaliação segue a mesma lógica da mama feminina: exame físico, imagem e, quando indicado, biópsia.

A conversa que costuma faltar

Boa parte dos homens com ginecomastia demora anos para procurar avaliação, e o motivo raramente é falta de informação médica: é constrangimento. A queixa envolve uma parte do corpo culturalmente associada ao feminino, e isso pesa o suficiente para que muita gente conviva com dor, sensibilidade e desconforto sem dizer a ninguém, inclusive evitando praia, piscina e vestiário por anos.

Vale dizer com clareza que a ginecomastia é comum, tem causas concretas e, em boa parte dos casos, tem o que ser feito, sobretudo quando a avaliação acontece nos primeiros meses. Procurar avaliação não é vaidade nem exagero: é o mesmo que fazer diante de qualquer outra alteração do corpo que incomoda e tem causa identificável.

O que se pode fazer

Quando há causa identificável, tratá-la costuma ser o caminho: suspender ou trocar o medicamento responsável, interromper o anabolizante, tratar a condição de base, corrigir o hipogonadismo. Nos casos com menos de seis meses a um ano de evolução, a regressão é possível, porque o tecido ainda não fibrosou.

Passado esse período, o tecido glandular tende a se tornar fibrótico e a não regredir mesmo com a causa corrigida. Aí a correção é cirúrgica, conduzida por cirurgia plástica, e é uma decisão sobre desconforto físico e impacto pessoal, não sobre risco. Vale registrar que a ginecomastia costuma pesar bastante na vida de quem a tem, em especial na adolescência, e minimizar isso não ajuda ninguém.

Perguntas frequentes

Ginecomastia é câncer?

Não. É o crescimento benigno do tecido mamário masculino. O que exige investigação é o crescimento de um lado só, endurecido, fixo e fora da região central da aréola, sobretudo com retração ou secreção.

Qual médico procurar?

O mastologista, porque a mama masculina é mama e a especialidade é dedicada a ela. A investigação pode envolver também endocrinologia, e a correção cirúrgica é conduzida por cirurgia plástica.

Existe remédio para ginecomastia?

Não há uma medicação de uso geral com essa indicação. O que costuma funcionar é identificar e corrigir a causa, sobretudo nos primeiros meses. Medicamentos específicos existem para casos selecionados e são decisão de consulta.

Emagrecer resolve?

Resolve a lipomastia, que é acúmulo de gordura. Não resolve a ginecomastia verdadeira, em que há crescimento de tecido glandular, e por isso a distinção entre as duas é o primeiro passo da avaliação.

Anabolizante causa ginecomastia?

É uma causa frequente e muitas vezes omitida na consulta. Parte da testosterona em excesso é convertida em estrogênio, e o desequilíbrio resultante produz o crescimento glandular.

Na adolescência precisa tratar?

Na maioria dos casos regride sozinha em um a dois anos, e a conduta costuma ser acompanhar. Isso não significa ignorar o impacto pessoal, que pode ser grande nessa fase e merece ser conversado.

Se não regrediu, o que fazer?

Passado cerca de um ano, o tecido tende a fibrosar e não regride mesmo com a causa corrigida. A correção passa a ser cirúrgica, e é uma decisão sobre desconforto e impacto pessoal, não sobre risco de doença.

Fontes