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Câncer de mama em homens: por que o diagnóstico demora

A doença é rara, pouco esperada e cercada de constrangimento. Veja os sinais, por que a ginecomastia é a causa mais comum de aumento da mama masculina e quando procurar.

Marcio Moreira, Estrategista de conteúdo e SEO do blog da Clínica PrecioreMarcio MoreiraEstrategista de conteúdo e SEOPublicado em 17 de outubro de 2026
Pasta fechada sobre uma mesa de madeira clara em um consultório iluminado, com um copo de água e uma planta ao lado

Câncer de mama em homens: por que o diagnóstico demora

Neste artigo você vai descobrir:

  • Quão raro é o câncer de mama em homens e por que o diagnóstico costuma demorar
  • Quais sinais observar: caroço, mudança no mamilo, secreção e alterações na pele
  • Por que a ginecomastia é a causa mais comum de aumento da mama no homem
  • Qual o papel do BRCA2 e do histórico familiar, e quando procurar o mastologista

O diagnóstico do câncer de mama em homens costuma demorar por três motivos que se somam: a doença é rara, quase ninguém espera que ela aconteça e muitos homens sentem constrangimento de procurar ajuda por uma alteração na mama. Estima-se que o câncer de mama em homens represente cerca de 1% de todos os casos da doença (INCA, 2023). Em uma série de 56 pacientes tratados em um mesmo serviço, o tempo mediano entre o primeiro sintoma e a primeira consulta foi de 12,4 meses, e a maioria dos pacientes não sabia que homens podem ter câncer de mama (Co et al., 2020). A boa notícia é que os sinais são simples de reconhecer, e a maior parte das alterações na mama masculina tem causa benigna. Cada caso exige avaliação médica.

Câncer de mama em homens: o quanto é raro

Homens também têm tecido mamário, e é nele que o câncer pode começar. Nos Estados Unidos, menos de 1 em cada 100 cânceres de mama ocorre em homens, e a doença costuma aparecer em idade mais avançada do que nas mulheres (NCI, 2025). Uma revisão publicada na Lancet aponta que a ocorrência tem pico aos 71 anos (Fentiman et al., 2006), e na série de 56 pacientes citada acima a mediana de idade ao diagnóstico foi de 61 anos (Co et al., 2020).

A raridade ajuda a explicar o resto. Como o homem não faz rastreamento e raramente pensa nessa possibilidade, uma alteração na mama tende a ser vista como algo sem importância, ou nem é notada.

Por que o diagnóstico demora

Os estudos apontam fatores que se repetem:

  • Falta de informação. Na série de 56 pacientes, a maioria não sabia, antes do diagnóstico, que o câncer de mama pode ocorrer em homens (Co et al., 2020).
  • Constrangimento. Mais de 90% dos pacientes relataram algum grau de vergonha quando os sintomas apareceram, e também ao esperar atendimento em um centro de mama frequentado sobretudo por mulheres (Co et al., 2020).
  • Apresentação tardia. A revisão da Lancet registra que o quadro costuma chegar tarde, com mais de 40% dos casos já em estágio III ou IV no diagnóstico (Fentiman et al., 2006).
  • Pouco tecido na mama masculina. Como há menos parênquima do que na mama feminina, o tumor pode chegar mais depressa a sinais secundários, como a retração do mamilo (Şafak, 2015).

Esses números vêm de séries específicas e não devem ser lidos como o retrato de todos os homens. Servem para entender o padrão: o problema não é a doença ser inevitavelmente grave, e sim o intervalo entre notar a alteração e procurar um médico. O estágio no diagnóstico está entre os fatores associados à sobrevida em uma base com 19.795 homens (Konduri et al., 2020), o que reforça o valor de não adiar a consulta.

Sinais do câncer de mama masculino: o que observar

O Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos lista os sinais e sintomas do câncer de mama em homens (NCI, 2025):

  • Caroço ou espessamento na mama ou perto dela, o sinal mais comum.
  • Mamilo que muda de forma ou de direção, ou que fica invertido.
  • Líquido saindo do mamilo, que pode ser claro ou com sangue.
  • Ferida aberta na pele da mama.
  • Pele escamosa, vermelha ou inchada na mama, no mamilo ou na aréola.
  • Pele com covinhas ou sulcos, parecida com casca de laranja.
  • Ínguas na axila ou perto da clavícula.

O INCA, em sua versão para profissionais de saúde, lista como sinais suspeitos, de referência urgente para confirmação diagnóstica, a mudança no formato do mamilo, como a retração unilateral, e a tumoração palpável em um só lado em homens (INCA, 2025). A mesma fonte do NCI lembra que muitas alterações da mama masculina são sinais de condições benignas, mas que vale conversar com o médico diante de qualquer mudança incomum (NCI, 2025).

Ginecomastia: a causa mais comum de aumento da mama no homem

Antes de se assustar, é bom saber que o aumento da mama no homem, na maioria das vezes, não é câncer. A ginecomastia é o aumento benigno da glândula mamária masculina e a condição mamária mais comum nos homens: pelo menos 30% dos homens serão afetados em algum momento da vida (Cuhaci et al., 2014). Ela está ligada a um desequilíbrio entre estrogênios e androgênios e pode ter causas fisiológicas, hormonais, medicamentosas ou nenhuma causa identificada (Barros e Sampaio, 2012). A ginecomastia também é o tipo mais frequente de nódulo mamário no homem (Şafak, 2015), e a revisão da Lancet não a coloca como fator de risco para o câncer (Fentiman et al., 2006).

O que muda o grau de atenção, segundo a revisão de achados de mamografia masculina, é o padrão: a avaliação diagnóstica se justifica quando o nódulo palpável é unilateral, duro, fixo, fora da região central do mamilo ou vem acompanhado de secreção pelo mamilo, alterações na pele ou ínguas (Şafak, 2015). A avaliação da ginecomastia inclui história clínica, exame físico, exames de sangue e de imagem, justamente para encontrar a causa e afastar outras condições (Cuhaci et al., 2014). O texto sobre ginecomastia explica essa avaliação, e o artigo sobre cirurgia de ginecomastia trata da etapa seguinte.

Genética e histórico de família: o papel do BRCA2

Uma parte pequena dos casos tem origem hereditária. O INCA informa que o câncer de mama de caráter hereditário corresponde a 5% a 10% do total de casos e que um dos sinais de possível predisposição é a existência de câncer de mama em homem na família (INCA, 2025). O NCI inclui entre os fatores de risco do homem as alterações herdadas nos genes BRCA1 e BRCA2, além de parentes mulheres com câncer de mama e da síndrome de Klinefelter (NCI, 2025). Os casos familiares costumam envolver o BRCA2, mais do que o BRCA1 (Fentiman et al., 2006).

Um estudo com 1.939 famílias estimou o risco acumulado de câncer de mama até os 70 anos em 6,8% para homens portadores de variante no BRCA2 e em 1,2% para portadores no BRCA1 (Tai et al., 2007). Esses números dizem respeito a quem tem a variante, não aos homens em geral. A consulta com geneticista serve para avaliar se o histórico da família justifica um teste genético e para explicar o que o resultado significa. O texto sobre câncer de mama hereditário aprofunda o tema. Se um homem da sua família teve câncer de mama, conte isso ao seu médico.

Como é a avaliação e quando procurar ajuda

A avaliação do homem com alteração na mama segue um caminho em etapas: exame físico, exames de imagem (ultrassonografia e mamografia) e, quando há suspeita, biópsia, em geral do tipo core biopsy. O exame genético pode ser indicado para pesquisar alterações como as do BRCA1 e do BRCA2 (NCI, 2025). Cada exame é pedido a critério do médico.

Procure um mastologista, sem esperar, diante de:

  • Caroço, espessamento ou aumento de uma só mama.
  • Mamilo que passou a se recolher ou mudou de direção.
  • Líquido saindo do mamilo, especialmente com sangue.
  • Ferida, vermelhidão ou descamação persistente no mamilo ou na aréola.
  • Ínguas na axila.

A consulta com mastologista também é o caminho para o homem: a consulta com mastologista da Preciore atende a queixa de nódulo, secreção ou retração na mama masculina, e a ultrassonografia mamária pode ser indicada pelo médico. Se você é mulher e tem pai, irmão, marido ou filho que notou algo assim, conversar e incentivar a consulta já é um gesto de cuidado. O texto sobre câncer de mama em homens reúne mais informações para quem quer saber mais.

Fontes consultadas:

Perguntas frequentes

Homem pode ter câncer de mama?

Pode. Homens também têm tecido mamário, e o câncer de mama em homens representa cerca de 1% de todos os casos da doença (INCA, 2023). É raro, costuma ocorrer em idade mais avançada do que nas mulheres (NCI, 2025) e, por isso, quase ninguém espera por ele.

Quais são os sintomas de câncer de mama em homens?

O sinal mais comum é um caroço ou espessamento na mama ou perto dela. Também aparecem mudança na forma ou direção do mamilo, mamilo invertido, líquido saindo do mamilo, ferida ou alteração da pele e ínguas na axila (NCI, 2025). Muitas dessas alterações têm causa benigna, mas pedem avaliação médica.

Caroço no peito do homem é câncer?

Na maioria das vezes, não. A ginecomastia é o tipo mais frequente de nódulo mamário no homem (Şafak, 2015). Mas um nódulo unilateral, duro, fixo ou acompanhado de secreção, alteração na pele ou ínguas deve ser avaliado (Şafak, 2015). Só o exame médico define.

O que é ginecomastia e tem relação com câncer?

Ginecomastia é o aumento do volume da mama masculina por proliferação da glândula e depósito de gordura (Barros e Sampaio, 2012). Afeta pelo menos 30% dos homens em algum momento da vida (Cuhaci et al., 2014), e uma revisão na Lancet não a incluiu entre os fatores de risco para câncer de mama (Fentiman et al., 2006).

Homem com BRCA2 tem mais risco de câncer de mama?

Sim. Em um estudo com 1.939 famílias, o risco acumulado até os 70 anos foi de 6,8% para homens portadores de variante no BRCA2 e de 1,2% para portadores no BRCA1 (Tai et al., 2007). Esses números valem para quem tem a variante. A consulta de genética avalia se o histórico familiar justifica um teste.

Que médico o homem deve procurar com alteração na mama?

O mastologista, que examina a mama, pede os exames de imagem quando necessário e, se houver suspeita, indica a biópsia (NCI, 2025). O INCA também trata como sinal suspeito, de referência urgente, a tumoração palpável em um só lado em homens (INCA, 2025). Cada caso exige avaliação médica.

Resumo

Resumindo: o câncer de mama em homens é raro, cerca de 1% dos casos (INCA, 2023), e o diagnóstico costuma demorar pela falta de informação e pelo constrangimento (Co et al., 2020). A causa mais comum de aumento da mama no homem é a ginecomastia, que é benigna (Şafak, 2015).

Caroço, mamilo que muda de forma, secreção e alteração na pele pedem consulta com mastologista, sem espera. Se houver câncer de mama em homem na família, vale conversar também sobre genética. Cada caso exige avaliação médica presencial.

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