Teste genético com VUS: o que significa uma variante incerta
VUS não é resultado positivo nem negativo: é uma variante sem dados suficientes para dizer se aumenta o risco. Entenda a classificação, o que muda na conduta e a reclassificação.
Marcio MoreiraEstrategista de conteúdo e SEOPublicado em 16 de outubro de 2026
Teste genético com VUS: o que significa uma variante incerta
Neste artigo você vai descobrir:
- As cinco classificações que os laboratórios usam para variantes genéticas, de patogênica a benigna
- Por que a VUS, variante de significado incerto, não é resultado positivo nem negativo
- Por que uma VUS, por si só, não decide cirurgia nem tratamento, segundo ACMG/AMP e NCI
- Como a variante pode ser reclassificada com o tempo e o que perguntar à equipe que pediu o teste
Teste genético com VUS é aquele em que o laboratório encontrou uma alteração no DNA, mas ainda não há dados suficientes para dizer se ela aumenta o risco de câncer. VUS é a sigla, em inglês, de variante de significado incerto. Ela não é um resultado positivo nem negativo: é uma categoria à parte (National Cancer Institute, 2024). Sozinha, uma VUS não é diagnóstico e não deve ser usada para decidir condutas clínicas (Richards et al., ACMG/AMP, 2015). Se o seu laudo trouxe essa sigla, respire: ele pede acompanhamento com calma, não decisão apressada. Cada caso exige avaliação médica.
Como os laboratórios classificam as variantes genéticas
Variante é o nome técnico de uma diferença na sequência do DNA. Para descrever o que cada variante encontrada num teste significa, as sociedades americanas de genética médica (ACMG) e de patologia molecular (AMP) recomendam cinco termos padronizados: patogênica, provavelmente patogênica, de significado incerto, provavelmente benigna e benigna (Richards et al., 2015). A classificação se apoia em tipos de evidência, como dados de populações, análises computacionais, estudos funcionais e o comportamento da variante dentro das famílias (Richards et al., 2015). O ClinVar, banco público do NCBI onde laboratórios registram suas classificações, usa os mesmos termos (NCBI, ClinVar).
| Classificação | Em linguagem simples |
|---|---|
| Patogênica | Há evidência suficiente de que a variante aumenta o risco. Faz parte do que se chama de resultado positivo (NCI, 2024). |
| Provavelmente patogênica | Alta probabilidade de aumentar o risco. "Provavelmente" significa mais de 90% de certeza (Richards et al., 2015). Também entra no resultado positivo (NCI, 2024). |
| Significado incerto (VUS) | Não há dados suficientes para saber se a variante aumenta o risco ou não (NCI, 2024). |
| Provavelmente benigna | Alta probabilidade de não causar doença, também com mais de 90% de certeza (Richards et al., 2015). |
| Benigna | Há evidência suficiente de que a variante não causa a doença em questão (Richards et al., 2015). |
O que é uma variante de significado incerto (VUS)
A VUS é uma alteração genética para a qual ainda não há dados suficientes para saber se ela aumenta o risco de câncer ou não (NCI, 2024). O laboratório não está dizendo que a alteração é perigosa. Está dizendo que a ciência ainda não sabe o que ela faz.
Por isso a VUS ocupa um lugar à parte. Não é positivo, categoria que reúne as variantes patogênicas e provavelmente patogênicas. E não é negativo, quando o laboratório não encontra nenhuma alteração danosa nos genes testados (NCI, 2024). O NCI inclui a incerteza e o estresse de receber uma VUS entre as dificuldades do teste genético (NCI, 2024). É compreensível: um laudo que não responde sim nem não costuma gerar ansiedade. Ele quer dizer apenas que a resposta ainda não existe.
Teste genético com VUS muda a conduta?
Por si só, não. A recomendação do ACMG/AMP é que uma VUS não seja usada na tomada de decisão clínica, que se busque resolver a classificação e que, enquanto isso, um monitoramento adicional possa ser prudente (Richards et al., 2015). O NCI diz o mesmo em linguagem direta: como a VUS costuma ser reclassificada como benigna, esse resultado em geral não entra nas decisões de saúde (NCI, 2024). Na prática, uma VUS não é indicação de cirurgia nem de tratamento.
Isso não quer dizer que o laudo seja ignorado. Na Preciore, a consulta de genética é conduzida pela Drª. Maria Juliana Rodovalho Doriqui, médica geneticista (CRM/MA 4447, RQE 1051), e o resultado é discutido em consulta. Diante de uma VUS, a conduta segue baseada no histórico familiar. O passo a passo está na página da consulta com geneticista, e o blog explica o caminho completo em do heredograma ao resultado. Para entender o pano de fundo, veja também a página sobre câncer de mama hereditário.
A VUS pode mudar de classificação com o tempo?
Pode, e esse é o ponto central. À medida que mais pessoas são testadas e novos estudos são publicados, os dados sobre a variante crescem, e ela pode ser reclassificada. Na maioria das vezes a VUS é reclassificada como benigna, e só às vezes se mostra associada a risco aumentado (NCI, 2024).
Um estudo com 1,45 milhão de pessoas testadas para câncer hereditário em um único laboratório comercial americano ajuda a dar dimensão. Entre as variantes de significado incerto, 7,7% foram reclassificadas. Dessas, 91,2% foram rebaixadas para benigna ou provavelmente benigna, e 8,7% foram elevadas para patogênica ou provavelmente patogênica. O tempo mediano até o relatório corrigido foi de cerca de 1,2 ano nas rebaixadas e de 1,9 ano nas elevadas (Mersch et al., JAMA, 2018). Os autores ressaltam que os dados vêm de um só laboratório e que falta confirmar se valem para outros.
Como a pessoa fica sabendo de uma reclassificação? A diretriz do ACMG/AMP prevê que o laboratório possa enviar atualizações por iniciativa própria e, na ausência delas, recomenda que sugira aos profissionais de saúde consultas periódicas para ver se o conhecimento sobre a VUS mudou (Richards et al., 2015). O NCI orienta quem tem uma VUS a manter contato com quem pediu o teste, para ser informada de qualquer novidade sobre a variante (NCI, 2024). Vale perguntar à equipe que solicitou o exame como esse acompanhamento é organizado no seu caso.
Também não é preciso repetir o teste: o material genético não muda ao longo do tempo, e em geral não se repete um teste específico (NCI, 2024). O que muda é a interpretação da variante.
O que fazer ao receber um laudo com VUS
Alguns passos ajudam a transformar a dúvida em acompanhamento:
- Leve o laudo completo à consulta com a geneticista ou com o médico que pediu o teste, e não apenas a página do resultado.
- Pergunte em qual gene está a variante, qual o histórico familiar que justificou o teste e o que muda ou não no seu rastreamento.
- Pergunte como acompanhar uma eventual reclassificação, como sugere o NCI ao orientar contato com quem pediu o teste (NCI, 2024).
- Guarde o laudo, com a data e o nome do laboratório, para comparar com atualizações futuras.
- Não tome decisão cirúrgica com base na VUS (Richards et al., 2015) e mantenha o acompanhamento que o seu médico indicar.
Uma VUS é uma pergunta em aberto, não uma sentença. Cada caso exige avaliação médica presencial.
Fontes consultadas:
- Richards S et al. Standards and guidelines for the interpretation of sequence variants: a joint consensus recommendation of the American College of Medical Genetics and Genomics and the Association for Molecular Pathology. Genetics in Medicine, 2015;17(5):405-424. https://doi.org/10.1038/gim.2015.30
- National Cancer Institute, Genetic Testing for Inherited Cancer Risk, revisado em 18 de abril de 2024. https://www.cancer.gov/about-cancer/causes-prevention/genetics/genetic-testing-fact-sheet
- Mersch J et al. Prevalence of Variant Reclassification Following Hereditary Cancer Genetic Testing. JAMA, 2018;320(12):1266-1274. https://doi.org/10.1001/jama.2018.13152
- NCBI, ClinVar, Germline classification (documentação). https://www.ncbi.nlm.nih.gov/clinvar/docs/clinsig/
Perguntas frequentes
O que significa VUS no teste genético?
VUS é a sigla, em inglês, de variante de significado incerto: uma alteração genética para a qual ainda não há dados suficientes para saber se aumenta o risco de câncer (NCI, 2024). Não é diagnóstico. Com mais estudos, a variante pode ser reclassificada, na maioria das vezes como benigna.
VUS é resultado positivo ou negativo?
Nenhum dos dois. O resultado positivo reúne as variantes patogênicas e provavelmente patogênicas, e o negativo indica que não foi encontrada alteração danosa nos genes testados (NCI, 2024). A VUS é uma categoria à parte, porque o efeito da variante ainda não está estabelecido.
Tenho uma VUS em BRCA1 ou BRCA2. Preciso fazer cirurgia?
Por si só, não. A diretriz do ACMG/AMP afirma que uma VUS não deve ser usada em decisões clínicas (Richards et al., 2015), e o NCI diz que esse resultado em geral não entra nas decisões de saúde (NCI, 2024). Qualquer decisão é construída em consulta, com base no histórico familiar.
Uma VUS pode virar patogênica?
Pode, mas é menos comum do que virar benigna. Em um estudo com variantes de significado incerto reclassificadas em um laboratório comercial, 91,2% foram rebaixadas para benignas ou provavelmente benignas e 8,7% foram elevadas para patogênicas ou provavelmente patogênicas (Mersch et al., JAMA, 2018).
Quanto tempo leva para uma VUS ser reclassificada?
Não há prazo previsível. No estudo de Mersch et al. (JAMA, 2018), o tempo mediano até o relatório corrigido foi de cerca de 1,2 ano nas variantes rebaixadas e de 1,9 ano nas elevadas, e apenas 7,7% das variantes de significado incerto foram reclassificadas no período analisado.
Preciso repetir o teste genético se deu VUS?
Em geral, não. O material genético da pessoa não muda ao longo do tempo, e normalmente não é necessário repetir um teste específico (NCI, 2024). O que pode mudar é a interpretação da variante, conforme novos dados. A equipe que pediu o exame orienta o acompanhamento no seu caso.
O que perguntar ao médico quando o laudo traz uma VUS?
Pergunte em qual gene está a variante, qual o histórico familiar que justificou o teste, o que muda ou não no seu rastreamento e como acompanhar uma eventual reclassificação. O NCI orienta quem tem uma VUS a manter contato com quem pediu o teste (NCI, 2024).
Resumo
Teste genético com VUS significa que foi encontrada uma alteração cujo efeito ainda não se conhece. Não é resultado positivo nem negativo, e, por si só, não é indicação de cirurgia nem de tratamento (Richards et al., ACMG/AMP, 2015; NCI, 2024).
A classificação pode mudar com o tempo, na maioria das vezes para benigna, e o laudo guardado ajuda a acompanhar essas atualizações. Vale perguntar à equipe que pediu o teste como esse acompanhamento é feito no seu caso.
Este texto é educativo e não substitui a consulta. Se você recebeu um laudo com VUS, agende uma conversa com a geneticista.
Teste o que você aprendeu
Um laudo de teste genético traz uma VUS. O que isso quer dizer?
VUS é a variante de significado incerto: não há dados suficientes para dizer se ela aumenta o risco (NCI, 2024). Não é positiva nem negativa, e, por si só, não deve guiar decisões clínicas (Richards et al., 2015). Com o tempo pode ser reclassificada, na maioria das vezes como benigna (NCI, 2024). O acompanhamento segue o histórico familiar.
Ficou com alguma dúvida sobre o seu caso?
A equipe da Preciore atende em São Luís, no Jardim Renascença, com consulta e exames no mesmo endereço.
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