Clínica Preciore, Mastologia e Diagnóstico por Imagem em São Luís
Agendar

Saúde da mama

Estereotaxia: a biópsia guiada pela mamografia

Estereotaxia é a biópsia guiada pela mamografia. Ela existe porque microcalcificações, que são um dos achados mais importantes do rastreamento, em geral não aparecem na ultrassonografia, e por isso não há como usar o ultrassom para guiar a agulha até elas.

Por que esse método existe

Toda biópsia por agulha precisa de um guia: alguma forma de a médica enxergar onde a ponta da agulha está. No caso de um nódulo visível na ultrassonografia, o guia é o próprio ultrassom, em tempo real. Mas microcalcificações são depósitos minúsculos de cálcio que, na maior parte das vezes, simplesmente não aparecem no ultrassom.

A solução é usar como guia o exame que as enxerga: a mamografia. A estereotaxia calcula a posição exata do agrupamento no espaço tridimensional a partir de duas imagens obtidas em ângulos diferentes, e converte isso em coordenadas que orientam a agulha.

Como é o procedimento

A posição depende do equipamento. Em alguns serviços, a paciente fica sentada com a mama comprimida no mamógrafo; em outros, deitada de bruços numa mesa específica, com a mama passando por uma abertura. A mama permanece comprimida durante boa parte do procedimento, e essa é a principal fonte de desconforto, mais que a agulha.

Depois de localizar o alvo e calcular as coordenadas, a médica aplica anestesia local, faz uma pequena incisão e posiciona a agulha no ponto calculado. A coleta costuma usar sistema a vácuo, o que permite retirar amostras maiores pela mesma punção.

Ao final, é feita uma nova imagem das amostras retiradas, para confirmar que as calcificações estão de fato no material coletado. Essa conferência é uma etapa própria da estereotaxia e não existe nas biópsias guiadas por ultrassom.

O clipe marcador é quase regra aqui

Nas biópsias de microcalcificações, o marcador metálico é colocado com mais frequência do que em qualquer outro cenário, e a razão é direta: o agrupamento de calcificações costuma ser pequeno, e a própria coleta pode removê-lo por completo.

Se isso acontecer e o resultado indicar necessidade de cirurgia, não haveria como localizar o ponto exato, porque o achado que servia de referência desapareceu. O clipe resolve esse problema. Ele é inerte, não migra, não dói, não é sentido e é compatível com ressonância magnética.

O que esperar depois

Quem deve avisar o quê antes

Informe se você usa anticoagulante, aspirina ou qualquer medicamento que altere a coagulação, e se tem alergia a anestésico local. Avise também se tem dificuldade de permanecer na mesma posição por períodos longos, se tem dor cervical ou lombar importante, ou se tem limitação de mobilidade nos ombros, porque a posição da estereotaxia exige permanecer parada e a equipe pode adaptar o apoio.

Quem já passou mal em procedimento anterior, por ansiedade ou por queda de pressão, deve dizer isso no agendamento. Não é frescura e muda a condução: a equipe organiza o procedimento com mais pausas e acompanha de perto.

Por que não simplesmente operar

Antes da estereotaxia se difundir, o caminho para investigar microcalcificações suspeitas passava pela cirurgia, com marcação prévia por fio e retirada da área em centro cirúrgico. Isso significava anestesia, internação, cicatriz maior e um resultado que, na maioria das vezes, voltava benigno.

A biópsia percutânea inverteu essa lógica. Ela dá o diagnóstico com anestesia local, sem internação e com incisão mínima, e reserva a cirurgia para quem realmente precisa dela. Quando o resultado é benigno, e é o que acontece na maior parte dos casos, a paciente evitou um procedimento cirúrgico inteiro.

Perguntas frequentes

Por que não fazer a biópsia guiada por ultrassom?

Porque microcalcificações em geral não aparecem no ultrassom, e sem enxergar o alvo não há como guiar a agulha. A mamografia é o exame que as mostra, e por isso é ela que guia o procedimento.

Fico com a mama comprimida o tempo todo?

Durante boa parte do procedimento, sim, e essa costuma ser a principal fonte de desconforto, mais que a agulha. Avise a equipe se a compressão ficar insuportável, porque há ajustes possíveis.

Quanto tempo dura?

Em geral de trinta a quarenta e cinco minutos, contando o cálculo das coordenadas, a coleta e a conferência das amostras por imagem, que é uma etapa própria desse método.

Por que fotografam as amostras retiradas?

Para confirmar que as calcificações realmente estão no material coletado. Sem essa conferência, haveria risco de o laudo analisar tecido que não contém o achado que motivou a biópsia.

O clipe é sempre colocado?

Quase sempre nesse tipo de biópsia, porque o agrupamento costuma ser pequeno e pode ser removido por completo na coleta. Sem a marca, não haveria como localizar o ponto numa eventual cirurgia.

É pior que a core biopsy?

Não é pior, é diferente. A dor do local é comparável, porque a anestesia é a mesma. O que pesa mais na estereotaxia é a compressão prolongada e a posição, que variam conforme o equipamento.

E se o resultado for benigno?

É o desfecho mais frequente, e nesse caso você evitou uma cirurgia inteira para chegar à mesma resposta. O laudo nomeia o achado, e esse nome define se o acompanhamento volta à rotina ou exige seguimento mais próximo.

Fontes